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OURO VIVO

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OURO VIVO

Sou um entusiasta da pouco ortodoxa escola de ensino baseada em ilustrações e códigos não linguísticos, sem, contudo, rejeitar o ensino tradicional naquilo que este tem e pode oferecer de melhor. Creio que a pedagogia ilustrativa seja um excelente método para cumprir o objetivo maior: educar os homens, conduzindo-os para fora das veredas da ignorância e do conformismo, a fim de levá-los à luz, fornecendo-lhes mais do que informações.

Refiro-me à “escola das exemplificações e representações”, a escola do pensar por si mesmo por intermédio do fecundo campo das abstrações e aplicações. Eu falo da pedagogia dos símbolos, da semiótica experiencial e orgânica, que oferece nas coisas simples da vida as mais belas e inesquecíveis lições e, acima de tudo, proporciona aos discentes crescimento, evolução e libertação das algemas da mediocridade.

Perdoem-me aqueles que são contrários à utilização de alegorias, metáforas e parábolas – principalmente quando não são extraídas das Escrituras – com a finalidade de explicar conceitos, princípios e verdades. Peço licença aos pensadores do mundo inteligível da interpretação literal, pois me atreverei a lançar um símbolo prosaico para alegorizar a vida normal da existência humana, símbolo, que a meu ver, se coaduna perfeitamente com a experiência e ortodoxia cristãs.

Compreendo pelas lentes das Escrituras que vasos feitos de barro ou de cerâmica não são muito diferentes de vasos humanos. Esses últimos, à semelhança dos primeiros, também sofrem quedas, esbarrões, se quebram com facilidade, perdem o brilho, a cor e a resistência, mas nem por isso podem ou devem ser descartados.

Calma, caro leitor. Passarei a explicar o que eu quero dizer com meus argumentos de vasos humanos quebrados, rachados, marcados com incontáveis danos e imperfeições em sua estrutura (espiritual e psicológica), e que, mesmo assim, podem ser recuperados. Acompanhe-me, por favor.

Um tempo atrás, navegando pela internet, deparei-me com um artigo que falava sobre uma antiga técnica de reparo em vasos cerâmicos, que por algum motivo haviam se despedaçado. Nascida no Japão imperial, provavelmente nos últimos anos do século XV, a kintusukuroi (reparo com ouro), também conhecida com o nome de kinstugi (emenda com ouro), é a arte de consertar, com ouro e laca, cerâmicas quebradas.

Para os japoneses, as peças restauradas com “cola de ouro” tornavam-se mais valiosas do que antes de serem remendadas, quando ainda estavam intactas. As rachaduras das cerâmicas avariadas, ao serem preenchidas com ouro, anunciavam uma clara evidência de que aquele vaso passou por um processo de “cura”, de acréscimo em sua natureza original: um processo de transformação.

Eis a comparação entre os vasos literais e os vasos semióticos: todos os homens, sem nenhuma exceção, foram criados por Deus à sua imagem e semelhança. E, sendo eles feituras do Criador, ninguém há melhor do que o próprio oleiro e artífice para “remendar e reparar” as rachaduras de suas almas e corações. A“cola”, que é capaz de religar as partes quebradas do interior de cada homem, é um remendo com propriedades curativas e transformadoras. É um “ouro vivo”, de natureza celestial e incorruptível, a saber, Jesus Cristo.

O “ouro vivo”, Jesus, não somente religa as partes quebradas e rachadas do interior dos homens, mas também religa todo homem a Deus. Ao sermos refeitos, emendados pelo Cristo de Deus, somos curados das feridas, das brechas e fissuras causadas pela queda da humanidade. Somos transformados, passando de um estado inglório de imperfeição humana a um crescente estado de perfeição humana, unida ao divino. A emenda divina, ao ser “acrescentada” em nossa frágil estrutura natural, nos torna cada vez mais parecidos com a perfeita e exata expressão de Deus: Cristo Jesus, o Homem-Vaso de Deus.

             Josué Argôlo.

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