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Onde posso encontrar Deus?!

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Onde posso encontrar Deus?!

Debruçado sobre o caixão, consumido pela angústia de perder um filho, indagava um pai acerca da existência de Deus. Sua progênie, futuro promissor – fama, sucesso, dinheiro – jazia hirto à sua frente, sem vida, inerte. “Será mesmo que Deus existe?”Questionava, insistentemente, não podendo crer em Deus, por se mostrar – aos seus olhos – insensível ou incapaz de salvar o seu filho de tão trágico acidente.  

Diante dessa inquirição amargurada, pus-me a refletir acerca do silêncio de Deus, supostamente indiferente ao sofrimento humano. Silenciei-me. Pude então ouvir os estrondos dos corações, urros egoístas, bradando e pondo em dúvida a “existência” d’Aquele que é amor.

“Por que Deus não me vê e não atenta para o meu sofrimento?” – pergunta a alma aflita que não conhece a Deus.  

Ó, alma! Por que indagas acerca da existência de Deus somente quando vês um filho num caixão? Por que não o fazer no tempo da fama, do dinheiro, do sucesso, das glórias?

Ora, certamente muitos morreram antes dele. Não poucos sofreram desgraça maior. Milhares estão morrendo à mingua na fome e na miséria. Dos hospitais se ouve gemidos de quem já não têm esperança. Nas ruas se vê crianças com frio, maltrapilhas, dependendo da benevolência daqueles que não raras vezes as olham com discriminação. Homens já crescidos, como ratos, vasculham lixos em busca de comida. Nas avenidas, mulheres idosas, catadoras de papelão, em busca de ganhar algum dinheiro, empurram carrinhos, cheios daquilo que não nos servem para nada.

E o que fazemos? Nada. Na verdade, temos muito o que fazer, para nos desviarmos do nosso caminho e socorrermos o necessitado. Olhamos-lhes e agradecemos a Deus: “obrigado, Senhor, por nos dares uma casa confortável e uma cama quentinha. Que o pão nunca falte em nossas mesas”. Seguimos felizes e não questionamos a existência de Deus. Até que um dia, a dor bate à nossa porta...

Puro egoísmo.

Ó, alma! Se estás bem, então Deus existe, ainda que o mundo inteiro se desfaça em dor e miséria. Se, porém, a desgraça te alcança, Deus então deixa de existir. Se tens saúde, bens, fartura, dizes que Deus é bom, ainda que os que estão à tua volta estejam na penúria. Se, todavia, te faltam essas coisas, pões em dúvida a existência e o amor de Deus.

E em razão desse egoísmo, deixas de perceber que o silêncio de Deus e a sua suposta indiferença não está n’Ele, mas em ti. Porque quando deixas de chorar com os que choram; quando deixas de compadecer-te da desgraça alheia; quando deixas de dividir o pão com o faminto; quando deixas de visitar os doentes e lhes levar esperança; quando deixas de vestir o nu, de socorrer os desesperados, de estender a mão aos cansados; negas a existência de Deus, EM TI, por viveres como se não houvesse Deus.

O ETERNO é o Deus imanente, que, estando em todos, age por meio daqueles que são sensíveis à sua presença e lhe reconhecem a paternidade. Pois somente os que podem ver a Deus como pai, podem reconhecer os homens como irmãos e exercer a fraternidade. Por outro lado, tendo ciência de que tudo provêm de Deus e de que n’Ele vivemos, existimos e nos movemos, não podemos pensar que somos maiores do que Ele. Se Ele é Deus, cabe às Suas criaturas adorá-lo, agradecidas pela vida concedida e pelo tempo de sua existência.

A morte não nos causaria tamanha dor se reconhecêssemos que somos como erva, e que só o Senhor é eterno. Assim, diante dela, falaríamos como Jó: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei: o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR.

A vida e a morte são dois lados da mesma existência.

ALEXANDRE RODRIGUES

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