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RETRATOS DO CORAÇÃO

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RETRATOS DO CORAÇÃO

Recentemente tive a oportunidade de ver em ação uma fotógrafa, amiga minha e irmã em Cristo, em um dos eventos da nossa igreja. Fiquei impressionado com a perícia e técnica empregadas pela profissional, com o intuito de captar as melhores cenas, registrar sorrisos, rostos e lembranças.

De maneira muito simples, embora consciente e habilidosamente, a retratista parecia conduzir seus “alvos”, pelo que me pareceu um arranjo muito bem pensado de poses, gestos e tomadas de ângulos diferentes. Cada intervenção realizada pela fotógrafa, rendia-lhe belíssimos retratos que guardam a representação e a interpretação da realidade, captada por suas lentes e, sobretudo, por seu atento olhar.

Não muito tempo depois, mergulhado em minhas reflexões, lembrei-me de mais um fotógrafo. Um fotógrafo com incomparável perícia, técnica e infinita agudeza em seu olhar. Deixe-me corrigir: mais um fotógrafo, não. Lembrei-me do Fotógrafo por excelência, que o mundo jamais conheceu igual: Jesus Cristo, o “fotógrafo” de Nazaré. Sei que essa declaração pode parecer estranha, risível, estapafúrdia. Mas há uma razão para tal proposição. Sim, uma razão tomada de certo romantismo, de uma profusa subjetividade e de não pouca alegorazição, contudo, não deixa de ser razão. Veja.

Jesus Cristo, o “fotógrafo” de Nazaré, não dispunha de lentes especiais, tampouco de uma câmera fotográfica, pequena que fosse – objeto inexistente em seu tempo. No entanto, ninguém possuía a sensibilidade nem a acuidade de “captar” expressões como ele o fazia, expressões essas que nenhum outro seria capaz de perceber: as expressões da alma e do coração.

O habilidoso “fotógrafo” de Nazaré era dotado de uma expertise divino-humana que lhe permitia, não somente extrair os retratos do âmago de mentes e corações, ao penetrar-lhes até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, discernindo-lhes os pensamentos e propósitos, mas também conduzir as vidas, por ele retratadas, a uma perspectiva que lhes permitisse ver suas próprias vidas, sem ranhuras ou borrões. Somente assim, os homens podiam perceber o que era realmente necessário enxergar nos retratos que compõem o verdadeiro álbum de fotos da existência humana: as imagens que registram o interior de cada um, revelando diminutas, porém, indeléveis marcas da Imago Dei (Imagem de Deus) no coração do Homem.

As marcas da Imago Dei, tais quais centelhas rubras de calor e luz, no interior de negras brasas, ainda guardam os contornos da Vida de Deus. Contornos, que ao serem fotografados/iluminados pela glória de Deus na face de Cristo despertam: o sentimento de desprendimento e de restituição num certo Zaqueu, a sede de Deus no coração de uma desconhecida samaritana, ou mesmo, o arrependimento de um malfeitor em seus últimos suspiros na cruz ao lado da Luz, isto é do Salvador.

Diante de tão radiante luz emitida pelos “flashes” divinos do próprio Cristo - à semelhança de Zaqueu, da Samaritana e de tantos outros que foram iluminados, - todos somos retratados sem as nódoas e borrões (típicos do velho homem), ao vermos o nosso coração com as “lentes” do Cristo de Deus.

Josué Argôlo.

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