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Assassinos em Potencial

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Assassinos em Potencial

Com o advento da era cibernética, o homem superou grande parte de suas limitações referentes ao tempo e ao espaço, beirando o limiar da onipresença. As mídias sociais de massa, Facebook e WhatsApp, puseram os homens em contato uns com os outros, como se o mundo fosse apenas uma pequena sala, onde todos se encontrassem reunidos. Com apenas um click, ao alcance de sua mão, eles se comunicam numa velocidade como a da luz e rompem fronteiras até então intransponíveis. O super-homem profetizado por Friedrich Nietzsche, pelo menos nesse sentido, já desponta como um ser ubíquo, universalizado, capaz de estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo, conectado com o mundo, e de emitir suas opiniões e ideias.

Depois de anos aprisionados e sem direito à palavra, agora todos se acham no direito de falar e de emitir seus pareceres acerca dos mais variados assuntos. Tornaram-se senhores do saber e da verdade, sobretudo nestes dias de profunda crise política no Brasil. Todos têm algo a dizer. E, guardadas as devidas proporções, isso é muito bom, pois a democracia, para ser eficaz, requer a efetiva participação popular, muito mais do que o mero sufrágio universal, plebiscitos, referendos e iniciativas populares.

Entretanto, juntamente com esse avanço ressurge uma velha discussão de cunho ético: à medida que aumenta a abertura de espaços nas mídias sociais, e que delas fazemos uso interativo, aumenta também a nossa responsabilidade acerca do que falamos. Refiro-me não somente ao que falamos acerca de questões políticas, mas também acerca de qualquer comentário que fazemos sobre quaisquer pessoas.

Recordo-me de um post que circulou recentemente na mídia popular: uma foto do juiz Sérgio Moro que, ao ser tomada maquiavelicamente por uma mente perversa, acabou se transformando numa capa, simulada, da revista Veja. Isso foi feito com o fim de destruir a imagem do magistrado diante de uma sociedade desinformada. Daí não raras pessoas começaram a divulgar a desinformação, sem antes se certificarem de sua veracidade. Neste caso, o prejuízo é ainda reversível, pois logo a verdade, por meio da mídia maior, será trazida à tona. Mas, e se tratando de um anônimo, quem há de redimi-lo de tão inescrupulosos falatórios mentirosos?

As sacras Escrituras veterotestamentárias advertem contra esse ímpio procedimento quando se refere aos “pés que se apressam para derramar sangue inocente”. Estes, vítimas do atavismo de seus primeiros pais, vivem a detratar vidas e a manchar suas histórias, pelo simples prazer catártico de liberarem o veneno que há em seus lábios contra vítimas inocentes, como também advertiu Davi: “Soltas a boca para o mal, e a tua língua trama enganos. Sentas-te para falar contra teu irmão e difamas o filho de tua mãe”.

Ora, estes que assim fazem não aprenderam a viver. Não sabem, como disse Guimarães Rosa, que viver é perigoso. Supõem que a vida consista em vitórias próprias e derrotas alheias. Por isso vivem sempre a lutar sem nunca vencerem de fato, pois suas supostas vitórias são em verdade verdadeiras derrotas. Pois como podem vencer se o que fazem é matar, e matar não semente uma vez, mas duas, três, quatro vezes, tantas vezes quanto se repete a detração contra seus irmãos?

E assim permanecerão, em verdadeira derrota, até que compreendam que a verdadeira vida se resume no amor, amor este que cobre multidões de pecados. Se disso soubessem, não mais atentariam contra a vida, contra a honra, contra a integridade, contra o nome, de quem quer que seja, nem mesmo contra aqueles que se mostram de fato no erro.

Até quando hemos de manifestar esse espírito luciférico de adversidade e acusação? Ou nos olvidamos que o Diabo é que é o pai da mentira e que ele é homicida desde o princípio? Ora, se lhe tomarmos partido, seremos reconhecidos como seus súditos, mesmo se o fizermos enganosamente em nome da verdade. Seremos então como Caim, que amava a seu irmão apenas de língua, enquanto a inspiração que lhe estava no coração era sentimento de morte.

É fato inegável que todos os homens são, em razão de sua consciência adâmica caída, assassinos em potencial. Mas, como bem advertiu o SENHOR: “...eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.

Alexandre Rodrigues

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