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O PARADOXO DA CRUZ: O SENHOR DA GLÓRIA

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O PARADOXO DA CRUZ:

O SENHOR DA GLÓRIA

O homem Jesus, aos olhos naturais, de acordo com as percepções sensitivas, por onde quer que passasse – pelas vielas do pequeno povoado de Nazaré, a flor da Galileia –, era tão somente mais um entre os transeuntes. O jovem carpinteiro, em contraste com a encantadora paisagem de Nazaré, cujo nome (para alguns linguistas) quer dizer Cidade do Ramo, era apenas como uma raiz de terra seca; como um “galho aparentemente ‘estéril’ e inútil”,desprovido de qualquer beleza que chamasse a atenção dos homens.

Singular paradoxo! Sim. Inimaginável contraste.

— Onde está o paradoxo? Onde, o contraste? – pergunta alguém que não compreendeu a proposição.

A resposta, mais clara que a luz do Sol no vigor de sua força, vem da Cruz de Cristo. Se bem que é na Cruz, isto é, na palavra da Cruz, que muitos se perdem, pois não veem que a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e que a fraqueza de Deus é mais forte que a força do homem.

A mensagem da Cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, é uma inabalável força divina. É na Cruz que nos é revelado o Cristo de Deus, se o fitamos com o olhar adequado. Podemos “vê-lo” meramente com os olhos físicos, da face, ou com os olhos espirituais, do coração. Com os olhos da carne vemo-lo na cruz como um verme carmesim, manchado de sangue, cravejado de espinhos, ignóbil, humilhado, vituperado, acabado. Mas, com os olhos espirituais, de revelação, o que vemos? Vemos O SENHOR DA GLÓRIA.

É na Cruz – nas barras da contradição – que se beijam a fragilidade humana e o imarcescível poder de Deus. Na Cruz, o galho que parece mirrado floresce. É na Cruz que a “raiz de terra seca”, ao ser despedaçada, revela que em seu interior está O SENHOR DA GLÓRIA. Na Cruz, o Cristo de Deus, em completa ruína do seu corpo – abatido, maltratado e moído – vence a pretensiosa sabedoria humana, a débil força da carne mortal e, sobretudo, o jactancioso orgulho daqueles que, não sendo, pensam ser alguma coisa, e, não tendo nada, pensam possuir tudo.

Pois a Sabedoria de Deus, mediante a cruz, embaraça a tola sabedoria humana. Afinal, o Poder de Deus, manifestado em fraqueza, confunde aqueles que pensam mais do que convêm acerca de si mesmos. Porque Ele é o SENHOR, de fato e de verdade – portentoso e soberano (O SENHOR DA GLÓRIA) – é que pode abrir mão de Si mesmo, ainda que por breve tempo, sem deixar de ser eternamente o que Ele é. Arrebatador paradoxo!

A pergunta diante do paradoxo da Cruz, do seu inimaginável contraste, cuja disparidade se torna ainda mais evidente no ápice da dor, sofrimento e escárnio é: será este mesmo O SENHOR DA GLÓRIA? Porém, a mente iluminada pelo Espírito da Verdade, responde convicta: Ele é o Rei da glória. A resposta brada tão vitoriosamente como vitorioso é Aquele que na Cruz foi crucificado.

No entanto, para se obter a revelação da verdadeira identidade do crucificado, são necessários olhos iluminados; é necessário um olhar, transcendente, distinto dos da razão e não limitado à aparência. São necessários olhos abertos pela imensa graça de Deus, que nos leva a declarar: “Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.”

Josué Argôlo.

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