Em defesa da fé

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APOLOGIA é uma palavra grega cuja raiz significa defesa, justificação, louvor. Somada, entretanto, ao sufixo (logos), temos então o sentido de um estudo, discursado ou escrito, feito em defesa de algo, com o fim de abrilhantá-lo ou justificá-lo com todos os embasamentos teóricos necessários e possíveis.

 

No caso específico de uma apologia bíblica, nos propomos a pôr em relevo as principais doutrinas bíblicas, as quais no tempo presente sofrem com as diversas formas de interpretações equivocadas, o que dar origem aos sofismas e heresias, e fazem com que muitos naufraguem na fé.

 

O apóstolo Paulo, em sua segunda epístola aos Coríntios, nos exortou dizendo: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que FALEIS TODOS A MESMA COISA e que NÃO HAJA ENTRE VÓS DIVISÕES; antes, sejais inteiramente UNIDOS, NA MESMA DISPOSIÇÃO MENTAL e NO MESMO PARECER” (1:10).

 

Ora, de que maneira podemos ter a mesma disposição mental e o mesmo parecer, de modo a falarmos todos a mesma coisa, eliminando, assim, as divisões no corpo de Cristo? Só há uma maneira para alcançarmos isso: colocarmos de lado, cada um de nós, as próprias opiniões e elegermos a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática cristãs, cuja autoridade está acima de qualquer tradição, pré-conceito, dogma, achismo e mesmo acima da modernidade.

 

Na verdade, há uma UNIDADE DE FÉ a ser alcançada por todos os verdadeiros filhos de Deus (Ef 4:13). Tal unidade de fé refere-se à unidade de pensamento e de compreensão da verdade a respeito de Deus, de acordo com o evangelho de Jesus Cristo, em todas as suas peculiaridades. Essa é a fé comum a que se referiu o apóstolo Paulo em Tito 1:4, pela qual devemos batalhar, diligentemente em sua defesa (Jd 1:3). Esta, certamente, não é a fé subjetiva que temos no coração; mas a fé, objetiva, substancializada na Bíblia Sagrada, a qual define a vontade e propósito de Deus o Pai, em Seu Filho Jesus Cristo.

 

Em suma, essa é a fé da qual o apóstolo Paulo disse: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, LUTANDO JUNTOS PELA FÉ EVANGÉLICA” (Fp 1:27). Esta é, portanto, a verdade que DE UMA VEZ POR TODAS FOI ENTREGUE AOS SANTOS (Jd 1:3).

 

Quando o Senhor Jesus veio ao mundo, Ele veio como o Enviado de Deus para trazer a nós a sã doutrina do Pai (Jo 7:16-17). Na qualidade de “O APÓSTOLO” (Hb 3:1), Jesus Cristo é o apóstolo por excelência, aquele que foi enviado diretamente dos céus a Terra. Por esta razão, Cristo passou todo o Seu ministério ensinando aos Seus discípulos, de diferentes modos, os vários aspectos da verdade divina. Este é o principal papel apostólico: levar, transmitir, declarar e aplicar a verdade de Deus.

 

Depois de Sua morte e ressurreição, falou o Senhor aos apóstolos, dizendo: “... Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20:21). Deste esse dia em diante, os primeiros apóstolos tinham sobre si a responsabilidade de transmitir à Igreja, qual a verdadeira doutrina a ser seguida. Estes, na qualidade de prudentes construtores, lançaram o fundamento da fé cristã, não sendo, portanto, permitido que alguém, posteriormente, lance outro fundamento além do que já foi posto (I Co 3:11 cf. Gl 1:8-9). Razão pela qual, os doze primeiros apóstolos [incluindo Paulo, contado como o 12º], têm os seus nomes escritos nos 12 fundamentos da Nova Jerusalém (Ap 21:14), a qual é a Igreja glorificada cuja edificação está consumada e alicerçada sobre o fundamento dos apóstolos (Ef 2:20).

 

Todavia muitos outros apóstolos foram também constituídos e enviados por Cristo, que não fazem parte do grupo dos 12 primeiros, como é o exemplo de Barnabé (At 14:14 cf. Ef 4:11). Este e outros à sua semelhança são incluídos no grupo dos demais apóstolos, os quais têm a incumbência de levar e confirmar a doutrina que os 12 primeiros estabeleceram. Neste caso, não podem acrescentar nem eliminar qualquer que seja o aspecto da sã doutrina pregada por Cristo e difundida, depois, pelos primeiros apóstolos.

 

Assim, pois, temos o fio condutor que traz a verdade divina do Pai até nós: Cristo, O Apóstolo, que vindo do céu comunica aos Seus doze primeiros apóstolos a sã doutrina do Pai, os quais são enviados por Jesus Cristo a todo o mundo, para propagar e difundir a Verdade de Deus, que é Cristo Jesus. Esta verdade é, então, sustentada e preservada, a longo do tempo, pelos muitos outros apóstolos, os quais funcionam como guardiões da fé, e como verdadeiros arautos, não cessam de declarar, em alto e bom som, aquilo que receberam dos primeiros apóstolos, segundo a verdade de Deus escrita no novo testamento.

 

Há algo, todavia, irmãos, que devemos perceber: que esta fé, a sã doutrina de Jesus Cristo, não é de todos, senão que pertence, tão somente, aos eleitos de Deus, conforme está escrito: “e para que sejais livres dos homens perversos e maus; porque a FÉ NÃO É DE TODOS. Todavia, o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do Maligno” (2Ts 3:2-3).

 

Aqueles que não ouvem a Palavra Apostólica, a qual está contida nos quatro evangelhos, em Atos dos Apóstolos, nas 21 epístolas e no Apocalipse, não pertencem aos eleitos de Deus, isto é, não fazem parte da verdadeira igreja de Jesus Cristo, os chamados para fora, a fim de pertencerem a Jesus Cristo (Rm 1:6). Isto é o que está declarado nas Escrituras, conforme afirmou o apóstolo João, dizendo: “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve [ouve a palavra apostólica]; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro” (I Jo 4:6).

 

Jesus Cristo, semelhantemente, nos ensinou a esse respeito, dizendo: “Qual a razão POR QUE NÃO COMPREENDEIS A MINHA LINGUAGEM? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas, porque eu digo a verdade, não me credes. Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes? QUEM É DE DEUS OUVE AS PALAVRAS DE DEUS; POR ISSO, NÃO ME DAIS OUVIDOS, PORQUE NÃO SOIS DE DEUS” (Jo 8:43-47). “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10:26-27).

 

Portanto oferecemos esta seção apologética a todos os verdadeiros e sinceros filhos de Deus, a fim de que, à semelhança dos irmãos de Beréia (At 17:11), sejamos conhecidos como aqueles que são nobres, os quais, dia a dia, investigam as Escrituras, para sabermos se as coisas que ouvimos e aprendemos mediante os vários meios de comunicação (rádio, televisão, Internet, púlpitos, livros) são, de fato, assim.


“... e perseveravam na DOUTRINA DOS APÓSTOLOS e na comunhão, no partir do pão e das orações”

At 2:42

 

Bom desfrute,

Por Bispo Alexandre Rodrigues

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