Desconheceram o Caminho da Paz...

Desconheceram o Caminho da Paz...

“Desde o começo do mundo que o Homem sonha com a paz” – disse o profeta profano. Regras de sintaxe à parte, assim como o fato de ser profano o profeta, verdade é que o poeta notou um fato inquestionável: a silenciosa busca dos homens à procura da paz. Entretanto, achará, porventura, o homem a paz tão almejada? Diria alguém onde ela se encontra, e todos iriam ao seu encalço. Porém, não a acharão em lugar algum, pois ela não existe enquanto objeto sensível, passível de ser tomada pelo esforço ou adquirida por preço, objetivamente, no mundo sensorial.   

Num cego desespero, tateia a humanidade – com mãos frágeis e não menos audaciosas –, tocando objetos, coisas, status, conquistas, pensando encontrar nisso a paz tão desejada.Não poucos, depois de alcançarem algum sucesso nesta efêmera vida, são enganados pelos próprios corações, acreditando terem encontrado a felicidade e a consequente paz.Entretanto, se alguma coisa desanda em meio do caminho, vai-se junto a sua “paz”.Paz condicionada não é paz. Por isso, a despeito de sua tão acirrada busca, o Homem ainda não a encontrou.

É verdade que muitos afirmam tê-la encontrado. Mas... pode-se chamar de paz a efêmera sensação de uma pseudo-segurança, egoísta, que projeta para o futuro um tempo de consolação eterna? Ao se apropriarem de um credo, o qual dizem ser a verdade, enganam-se os homens com a promessa de uma paz eterna depois da morte. Enquanto a morte não chega, entretanto, são eles atormentados pela cobiça, pelo medo da condenação, pelo medo do diabo, pelo medo de macumba, e, paradoxalmente, pelo medo da morte.

Diferentemente de tudo isso, o Senhor Jesus, momentos antes de sua morte, disse aos seus discípulos: “Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Ora, vede. Como pode dar paz aos seus discípulos, aquele que se dirigia à cruz e que sabia do terrível caminho que trilharia – caminho de dor, de escárnio, e de morte?Ou melhor, como poderia este sentir tamanha paz, quando tudo ao seu redor conspirava contra ele? A resposta vem dos próprios lábios de Jesus: “não dou a paz como o mundo a dá”.

A paz de Cristo é incondicional a qualquer circunstância e não se projeta para um tempo escatológico de paz eterna. Antes, a paz de Deus, que excede todo entendimento, manifesta-se no tempo presente em meio a todas as adversidades possíveis. Trata-se de um estado de alma, de calma e tranquilidade em toda e qualquer circunstância. Não uma serenidade bucólica ou estática, mas dinâmica, fundada no lastro da certeza e segurança, as quais brotam do conhecimento da Verdade.

Sim... a paz de Cristo só é paz verdadeira porque não se funda nem se fia no que se tem ou no que se pode ter, pois essas coisas ou são passageiras ou são utópicas. A verdadeira paz, porém,se fundamenta no lastro da certeza e segurança, as quais só são possíveis mediante o conhecimento da Verdade.

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, disse o Salvador. Libertação do engano do pecado, que é ilusão; do medo da morte, que já foi vencida; do materialismo, que é transitório; das mágoas, que são egoísmo; da inveja, que é insana; do suor, que sacrifica; do dinheiro, que corrompe; da religião, que perverte; dos sentimentos, que enganam; do conhecimento, que ensoberbece; da letra, que escraviza.

Quando formos libertos de todo engano, só nos restará o amor. E aí teremos paz, porque só o amor pode concedê-la a nós. Afinal, a paz verdadeira repousa na certeza de que temos vivido para o que de fato fomos feitos: servir a Deus e aos homens.

Alexandre Rodrigues

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