AGNOSTOS THEÓS

AGNOSTOS THEÓS

Nunca, na História do Cristianismo, se ouviu falar tanto a respeito do “deus cristão” como em nossos dias. Ouve-se propalações sem fim, advindas de todo lugar: discursos hermeticamente envelopados, embrulhados, de todas as formas, texturas e cores possíveis.

Há embrulhos de cetim, que apresentam o “deus cristão” tão somente aos ricos, para servir aos seus próprios interesses; há embrulhos de pano de saco para os adeptos da falsa piedade, e há também os embrulhos da relatividade. Estes são mais difíceis de identificar, pois assumem formas, cores e aparências, conforme a conveniência dita as regras da vez e do jogo da vida.

Em meio a essa verdadeira Babel de fábulas, contos e historietas – ora anedóticas, ora sádicas – do “deus cristão”, reside ou sobrevive o grito mudo das cegas almas que, sem saber onde encontrar, buscam o Deus desconhecido em algum dos vários embrulhos do Cristianismo. Grito mudo, sim. Porque na ânsia de serem compreendidas e de compreenderem o indecifrável Deus desconhecido, não são poucas as almas que se perdem no caminho, na ilusão de encontrarem lá fora AQUELE que está tão perto.

Mas não são todos os que se desviam para a avenida da ilusão. Pela força do destino ou pelo reconhecimento de sua intrínseca incapacidade de compreender o Altíssimo, há homens que tomam o caminho inverso da roda do mundo e buscam DEUS, mesmo que desconhecido a eles, não fora, mas dentro de si mesmos. E, pasmem: na ironia da vida, os que buscam Deus dentro de si o acham mais rapidamente do que muitos que, tateando, buscam a Deus nos sistemas erigidos pelo homem em torno de suas religiões, se é que estes o poderão achar nesses lugares.

Homens-Poetas, não levando em si a chancela do “deus cristão” e dos “cristãos-deuses”, como verdadeiros servos do Altíssimo, são elevados à categoria de profetas do Deus vivente pelo simples fato de haverem conhecido o Deus desconhecido: o Deus que não possui forma, nem textura, nem cor e que não pode, tampouco, ser embrulhado em qualquer aparência detectável aos olhos humanos.

Este agnostos Theós, de fato, foi mais conhecido por muitos poetas gregos da antiguidade e por bárbaros do Novo Mundo do que foi e é conhecido por séquitos de seguidores da religião do “deus cristão”. Pois esta, a religião do “deus cristão”, na verdade não conhece a Deus. Mas, em seus embrulhos de ilusão, apenas oferece embrolhos aos homens ávidos por verem e conhecerem o impalpável Senhor de todos.

A todos os homens resta somente uma saída, a saber, compreender que o desconhecimento de Deus não é o fim; antes, tal desconhecimento é o convite e o início de uma longa jornada que nos lança na infinita busca do Eterno. Afinal, o Deus desconhecido pelo mundo dos religiosos é, contudo, conhecido por todos os homens que o buscam bem perto de si.

Josué Argôlo

Josué

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