AMÉM

AMÉM

Amém é um advérbio hebraico, cuja raiz significa assegurar, firmar, apoiar. Também é um termo utilizado no sentido de “assim seja”, como sinal de confirmação e concordância com algo ou com alguém. Biblistas e comentaristas dos textos sagrados afirmam que o amém é a composição acróstica da expressão hebraica “El melech ne emam” (אֵל מֶלֶךְ נֶאֱמָן), que quer dizer: Deus... meu Rei é Fiel. O amém é, sem dúvida alguma, um dos termos mais utilizados pela cristandade em todo o mundo. Não são poucos aqueles que cantam, leem e também recitam esta palavra em orações, sermões e momentos litúrgicos nas assembleias cristãs com intuito de evocar uma espécie de aura mística ou sagrada. Infelizmente, os cristãos, não raras vezes, não atentam para o fato de que a simples menção de uma palavra – amém ou outra palavra qualquer – em nada altera o curso da vida humana. Não fomos chamados por Cristo a fim de sermos semelhantes a papagaios, que apesar de terem o dom de replicar palavras não possuem o discernimento daquilo que cantarolam.

Mudança de pensamento! Esta é a real necessidade que todos nós temos. Não basta saber o que as letras das Escrituras Sagradas significam; não basta decorar os termos e suas etimologias, apegando-nos desesperadamente a meros invólucros formais daquilo que foi registrado no Livro Sagrado. Precisamos saber que as palavras – por mais sacras que sejam – quando desacompanhas de uma consciência clarificada e segura daquilo em que cremos e que de fato está sustentado por Deus, não passam de letras, frases e expressões lançadas ao vento. Além disso, o conhecimento e a repetição de palavras, rezas, orações fortes, confissões de autoridade, ou o uso de Bíblias abertas em Salmos, empoeiradas e amareladas pelo tempo, não possuem o poder mágico de transformar abóboras em carruagens encantadas, como no conto infantil, tampouco tem o poder de converter mentes e corações rumo ao alvo de nossas vidas: Cristo Jesus, o Senhor.

É imprescindível, portanto, que todos nós – cristãos ou não cristãos – saibamos que palavras são ideias e que ideias são a expressão das consciências (todas elas!). Logo, nossos atos, incluindo nossas verbalizações, devem ser governados por uma mente amalgamada à Verdade, que é Cristo: o Verbo da Vida, o Alfa e Ômega, a Palavra Encarnada, o Amém de Deus. Dizer amém é pouco, para não dizer nulo, se não tivermos no coração a real compreensão do que proferimos, e, que por sua vez deve ser ontologicamente nascido em Deus, por Deus e para Deus. A banal e oca reprodução fonética de “palavras sagradas” ou de frases imbuídas de um suposto efeito espiritual não tem real valor ou ação transformadora no homem. Assim sendo, expressões como améns, aleluias, Deus seja louvado, eu creio... eu posso... Deus fará..., devem ser balizadas no caráter, vontade e propósito de Deus.

Mais do que palavras pronunciadas por bocas ávidas em repetir o que é santo e bíblico, Deus espera que tenhamos corações rendidos a Ele. Nenhum bem ou mal está na letra do que é tão somente dito, mas sim, no espírito ou essência do que é enunciado. Pois a essência das palavras está não em sua composição etimológica, mas no real entendimento e união do coração àquilo que foi pronunciado. Nossa união com o divino não se dá em palavras, antes, só é possível quando introjetamos ideias, pensamentos, formas, cores, sabores e cheiros do mundo da Palavra Encarnada dentro de nossas almas. Nesse momento ocorre um verdadeiro banquete. É nesse ato de fé – não da pronúncia de verbos, substantivos e termos sem fim – que, conforme declarou Rubem Alves, “aquele que lê [acrescento também aquele que diz...] transforma as palavras lidas na sua própria carne e no seu próprio sangue.”

Josué Argôlo.



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