Pregar o Velho Testamento

A Paz do Senhor Pastor!

 

Como ministrar para alguém que estar triste ou que perdeu a esperança, sem falar em restituição e bênçãos, tanto espirituais como materiais?

 

O velho testamento não é útil para pregar o evangelho ou se embasar para ministrar a PALAVRA?



 

 

Resposta:

 

Amada irmã em Cristo,

 

Graça e Paz:

 

Estamos vivendo em uma era antropocêntrica, era na qual o homem é colocado como o centro de todas as coisas. O que prevalece em nossos dias é o humanismo, de sorte que, o homem tem sido colocado acima de Deus, enquanto a vontade eterna do Altíssimo, nem ao menos, é considerada.

 

O evangelho corrente nesses dias, é um evangelho, cujo fim, é o bem estar do homem, a sua alegria e satisfação. Por isso, as pessoas andam em busca de “consolo”, não, todavia, o consolo que o verdadeiro evangelho propõe, mas um consolo egoísta, de acordo com o falso evangelho da prosperidade.

 

O descanso proposto pelo evangelho de Jesus Cristo, não nos isenta de nossa responsabilidade de nos unirmos aos seus sofrimentos, conforme o próprio Jesus declarou: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e EU VOS ALIVIAREI. TOMAI SOBRE VÓS O MEU JUGO e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o MEU JUGO É SUAVE, e o MEU FARDO É LEVE” (Mt 11:28-30). Veja que a proposta de Cristo é, por um lado, aliviar-nos do fardo do pecado e da lei, e por outro, colocar-nos debaixo do Seu jugo, para juntos, Cristo e nós, levarmos o Seu fardo.

 

Não podemos, jamais, pregar às pessoas um falso consolo, passageiro, efêmero. É preciso conduzi-las à Verdade. Aqueles que pregam uma vida fácil aqui nesta terra, estão enganando os incautos, fazendo-os firmar suas raízes neste mundo, o qual está reservado para juízo e para a destruição dos homens ímpios (2Pe 3:7),  conforme também nos declarou o escritor Aos Hebreus: “Ora, esta palavra: Ainda uma vez por todas significa a remoção DESSAS COISAS ABALADAS, como tinham sido feitas, para que as coisas que não são abaladas permaneçam”(12;27). “Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2Pe 3:11-13). Portanto, pregar as bênçãos materiais é pregar a ilusão, visto que tudo o que há debaixo do céu é vaidade e correr a trás do vento (Ec 1:2; 4:4, 16).

 

Pregar a Verdade de Deus consiste em anunciar aquilo que é real, verdadeiro e eterno. Por essa razão, a Bíblia fala-nos a respeito de um reino inabalável (Hb 12:28), em contraposição às coisas abaláveis (Hb 12:28).

 

A esperança do crente não está neste mundo, pois se assim o fosse, seríamos os mais miseráveis de todos os homens (I Co 15:19). O destino dos materialistas, os inimigos da cruz de Cristo, é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas (Fp 3:19). Nós, todavia, os que cremos, temos a nossa pátria nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fp 3:20).

 

Todavia, alguém dirá: E quanto ao Antigo Testamento? Não devemos pregá-lo nos dias de hoje? É preciso lembrar que, o que se tornou obsoleto para os crentes que estão sob a Nova Aliança, foi a aplicação da lei, de suas bênçãos e maldições, decorrentes da obediência e da desobediência do homem (Gl 3:10-14). Os princípios, porém, contidos nos livros do Antigo Testamento são eternos, e servem para a correção e edificação de todos os homens (2Tm 3:16).

 

O desafio, neste particular, é encontrar a relação entre o Antigo e Novo Testamento, como quem procura relacionar a sombra à sua realidade, como por exemplo: Os animais que eram imolados no tempo do Antigo Testamento encontram a sua realidade em Cristo, que é o Cordeiro de Deus (Lv 7 cf. Jo 1:29). As festas, as comidas e bebidas, as luas novas e os sábados da antiga lei são meras sombras de Cristo, o qual é a realidade de todos os ritos vetero-testamentário (Cl 2:16-17). A circuncisão, por sua vez, já não acontece mais na carne, mas no coração (Gn 17:9-10 cf. Rm 2:28-29). O mesmo acontece com a  Páscoa (Ex 12 cf. I Co 5:7), as Primícias (Lv 23:9-14 cf. I Co 15:20), o Pentecoste (Lv 23:15-25 cf. At 2), e assim, sucessivamente, até que contemplemos, plenamente, que toda a realidade encontra-se em Cristo (Mt 17:4-5; Cl 2:9), e que Cristo é tudo em todos (Cl 3:11).

 

Portanto o consolo aos que sofrem deve encontrar-se na verdade da Escritura, e não no evangelho humanístico e antropocêntrico dos dias atuais. Nunca se esqueça de uma coisa: A Verdade de Deus, a qual é Cristo, é que liberta (Jo 8:32 e 36), e somente a mensagem da cruz de Cristo é capaz de tornar alguém em uma nova criatura (2 Co 5:17), garantindo-lhe vida eterna.

 

Então, nos dias da segunda vinda de Cristo, aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.

 

Esta é a verdadeira esperança para todos os oprimidos que almejam, de fato, um descanso verdadeiro e eterno.


Jesus é o Senhor!


 

Eu mesmo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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