Unicismo, Trindade e Batismo no nome de Jesus

 

Gostaria de saber se o Bispo Alexandre Rodrigues é unicista, se crê na trindade e se só batiza no nome de Jesus?

 


 

Resposta:

 

Amado irmão em Cristo, Graça e Paz:

 

Ao receber o teu e-mail, muito me alegrei no Senhor, por saber que, mesmo em uma era de tão densas trevas espirituais, ainda existem pessoas que se preocupam com a forma de doutrina (Rm 6:17), a qual nos foi entregue, de uma vez por todas, pelo nosso Senhor Jesus Cristo (Jd 1:3).

 

Sabemos, pelas Escrituras Sagradas, que nos últimos dias muitos apostatariam da fé, por obedecerem a espíritos de demônios (I Tm 4:1), e que os homens não suportariam a sã doutrina; antes, recusando-se ouvir a verdade, entregar-se-iam às fábulas (2Tm 4:3-4). De fato, diz o apóstolo Paulo, os últimos dias seriam DIAS DIFÍCIEIS (2Tm 3:1).

 

Entretanto, damos sempre graças a Deus por Sua muita misericórdia, por preservar os “sete mil” que não dobraram os joelhos diante de baal; esses são o remanescente, o qual tendo pouca força, não tem, todavia, negado o Nome do Senhor e, sobretudo, guardado a Sua Palavra (Ap 3:8).

 

Para respondermos às perguntas que o irmão nos fez, gostaríamos, antes de tudo, esclarecer qual a nossa posição diante das várias escolas teológicas vigentes, as quais estão ligadas a movimentos de reforma do passado. Confessamos que os nossos corações são gratos a Deus pela vida, empenho e serviço que os grandes homens do passado nos legaram através de seus ensinos. Todavia, nos negamos a nos colocar, servilmente, sob os seus construtos, salvo quando comprovados pela Bíblia Sagrada a veracidade de suas asseverações. Por essa razão, não estamos comprometidos com esse ou aquele modo de crê, previsto, dogmaticamente, pelas tradições engessadas dos concílios romanos ou dos muitos e variados movimentos de reforma. Nosso compromisso, entretanto, é unicamente com a Bíblia Sagrada, e com nada mais. Eis a razão pela qual, ao adentrarmos o estudo das Escrituras, o fazemos no princípio da leitura e da interpretação dialéticas.

 

Leitura dialética é a leitura que fazemos da Bíblia extraindo dela perguntas sobre determinado tema, permitindo, ao mesmo tempo, que ela própria responda, sem que haja a intromissão humana. O homem, neste processo, serve tão somente para criar um diálogo da Bíblia com a própria Bíblia, servindo, meramente, de   mediador entre as perguntas e as respostas. Assim, o texto sugere a pergunta, e o mesmo texto estabelece a resposta. Esse modelo de estudo bíblico exige a isenção das opiniões humanas e requer o respeito à autonomia e soberania da Bíblia Sagrada, na qualidade de única fonte autorizada para definir a verdade de Deus. Somente aqueles que não receiam ouvir respostas contrárias aos dogmas herdados e adquiridos da velha religião, ingressam  por esse caminho da compreensão das Escrituras. Esses, certamente não são covardes diante da verdade de Deus, mesmo quando todos os demais, seguindo o curso do mundo, seguem em direção oposta.    

 

A interpretação dialética, por sua vez, possibilita o diálogo entre os vários textos da Bíblia, textos esses que estão vinculados ao mesmo tema. Esse procedimento, impede que alguém estabeleça uma interpretação particular de algum texto da Escritura; pois o sentido de um determinado trecho da Bíblia está sujeito aos vários outros textos do mesmo gênero. Esse método de interpretação bíblica corresponde ao que se costuma falar: a Bíblia interpreta a si mesma.

 

Assim, quando algum texto é apresentado, é necessário buscarmos em outros contextos a abrangência de aplicabilidade daquilo que está sendo dito. Para isso, é preciso perguntar: “será que tal mensagem se aplica a toda e qualquer situação, ou somente a determinados casos específicos?” Em seguida, deixemos que a Bíblia dê o veredicto.

 

Além disso, é preciso encontrar em outras paragens a circunferência delimitadora, a qual restringe os sujeitos para quem foi dirigida a determinada palavra, perguntando: “será que aquela palavra fora dita à todos os filhos de Deus, ou limita-se à alguém em especial?” Como no caso de Josué, por exemplo, o qual tendo recebido a dura incumbência de conquistar a boa terra de Canaã, teve de Deus a garantia de que, o lugar onde pisasse as plantas de seus pés, lhe seria dado por herança (Js 1:3). Partindo desse entendimento, não adianta sairmos por aí pisando terreno alheio, e “determinando” que Deus cumpra a Sua palavra, pois isso não acontecerá. Tal promessa fora feita a Josué, no caso específico da conquista da terra de Canaã, a qual foi prometida a Abraão, Isaque, Jacó e a Moisés.

 

É, semelhantemente, imprescindível, através do contexto geral de toda a Bíblia, conferir a validade do texto em questão, levando em conta as dispensações, discernindo se aquilo que está dito é aplicável na era da graça, ou só estava em vigência no tempo da lei? Será que aquilo que está escrito é algo que já foi cumprido ou que ainda está por cumprir-se; enfim. Será que, pelo simples fato de está escrito na Bíblia, a referida mensagem possui sentido absoluto aos Seus leitores, independentemente do tempo e do espaço em que viverem?

 

Todas essas respostas somente serão possíveis mediante a interpretação dialética da Bíblia Sagrada. Retirar um texto da Bíblia de seu contexto é assassinar as Escrituras, e afirmar algo fora de seu contexto, é afirmar o que Deus não disse, e isso é cometer mentira. Vamos a um exemplo: Lembra-se do episódio em que Jesus estava sendo tentado pelo diabo, no deserto? O maligno apresentou-lhe a Escritura, dizendo: “está escrito: Aos seus anjos ordenarás a teu respeito que te guardem; e Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra”. Afinal, isso que o maligno disse, está ou não escrito? Sim, está escrito (Sl 91:11-12). Mas, e aí? O diabo tinha ou não razão? Não. Definitivamente, não. O que Deus está dizendo nesta porção só pode ser entendido, quando aplicada a ele a leitura dialética. Para tanto é preciso perguntar à Bíblia, em qual circunstância aquelas palavras são válidas. Veja a resposta de Jesus Cristo: “TAMBÉM ESTÁ ESCRITO: Não tentarás o Senhor teu Deus” (Mt 4:6-7). Observe que a expressão “também” estabelece uma relação de diálogo entre o texto referido pelo diabo e um outro texto do antigo testamento, o qual delimitou o a extensão de sentido da promessa de Deus e estabeleceu o sentido daquilo que Deus verdadeiramente disse.

 

Portanto, quando algum texto é interpretado arbitrariamente, de modo particular, sem a devida dependência de todo o restante da Escritura, tal palavra não é de Deus, mas do diabo.       

 

Com esse entendimento, entremos nos méritos das três perguntas, as quais foram dirigidas a mim:

 

1) O bispo Alexandre é unicista?

 

2) Crer na trindade?

 

3) Batiza só no Nome de Jesus?

 

Vejamos:

 

A corrente teológica unicista crer que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são TRÊS MANIFESTAÇÕES DIFERENTES de Deus ao homem. Segundo essa teoria, “Pai” é o título atribuído a Deus em Sua primeira manifestação nos dias do antigo testamento, “Filho” é o segundo título atribuído a Deus nos dias de Sua encarnação e ministério terrestre, e “Espírito Santo” é o título atribuído a Deus nos dias atuais. Não há, nessa linha de pensamento, a percepção de um Deus Triúno, mas apenas a de títulos atribuídos a ofícios diferentes de Deus em diferentes épocas, para diferentes ministérios. Sendo assim – afirmam os adeptos dessa corrente – no momento em  que o Pai se manifestava nos dias do antigo testamento NÃO HAVIA, simultaneamente, o Filho nem o Espírito Santo. Do mesmo modo, quando Deus estava na terra, feito carne, nos dias de Sua peregrinação, NÃO HAVIA o Pai nem o Espírito Santo. Igualmente hoje, afirmam, temos o Espírito Santo, e portanto, o Pai e Jesus, não podem existir juntamente com Ele.

 

Ora, o que diz as Escrituras a esse respeito? Vejamos o que diz em Atos 7:55-56: “Mas Estêvão, cheio do ESPÍRITO SANTO, fitou os olhos no céu e viu a glória de DEUS e JESUS, que estava À SUA DIREITA, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o FILHO DO HOMEM, em pé à DESTRA DE DEUS” (ênfase acrescentada). O que a Bíblia nos apresenta aqui, não são apenas manifestações, mas a CO-EXISTÊNCIAdo Pai,e do Filho e do Espírito Santo. Observa-se que enquanto o Espírito Santo enchia Estêvão, o Filho de Deus estava, em pé, à direita do Pai, nos céus. Isso não parece apoiar o que dizem os unicistas. A idéia unicista, neste particular, não encontra, segundo esse texto, apoio nas Escrituras Sagradas. Um outro texto que podemos apresentar contra a idéia unicista encontra-se no episódio do batismo de Jesus. Naquela ocasião, a trindade divina claramente se revelou, de modo a distinguir, separadamente, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Quando o Filho de Deus saía da água, o Espírito Santo desceu sobre Ele, ao mesmo tempo em que o Pai, dos céus, declarava: este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (Mt 4:16-17). Ainda outros textos poderiam ser usados para desmontar esse jogo herético que disputa contra a verdade a respeito de Deus. No antigo testamento, por exemplo, não em uma ocasião, mas em muitas, quando Deus fala a respeito de Si mesmo, o faz utilizando o pronome da 3ª pessoa do plural “Nós”, como uma evidência de Sua triunidade (verifique: Gn 1:26; 11:7; Is 6:8).

 

Portanto, à luz do que nos ensina a Bíblia Sagrada, declaro com confiança que NÃO SOU UNICISTA, pois como poderia eu ser aquilo que a Bíblia não é, e como haveria de sustentar o que a Palavra de Deus não fundamenta?

 

Quanto à trindade divina, quero esclarecer QUE SOU pela triunidade de Deus, não porém, pela concepção de uma ideologia  politeísta. Não creio em três deuses, mas na existência de um só Deus, presente em três pessoas. A melhor maneira para definir esse mistério divino são as expressões: Co-existência e Co-inerência.  Prossigamos passo a passo:

 

A Bíblia Sagrada nos ensina, tanto pelo antigo como no novo testamento, que o Deus verdadeiro é um só. É isso o que traduz o primeiro mandamento do Decálogo: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20:3). Posteriormente, declarou o próprio Deus pela boca do profeta Isaías, dizendo: “Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus...” (45:5). Em outra ocasião, mais uma vez se fez conhecer como o  DEUS ÚNICO, dizendo: “Lembrai-vos das coisas passadas da antigüidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim” (Is 46:9).

 

No novo testamento, por sua vez, temos ratificada a mesma e única verdade expressa no antigo testamento. O próprio Jesus certa vez, falando com o Pai em Sua oração sumo-sacerdotal, declarou, dizendo: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste” (Jo 17:3). Assim, o princípio da unicidade divina continua corrente em todo o restante do novo testamento, como podemos verificar em outros textos, tais como: I Co 8:6; Ef 4:6, entre outros.

 

EM CONTRAPARTIDA, ao lermos atentamente o novo testamento, nos deparamos com afirmações a respeito da divindade de Jesus, tanto quanto do Espírito Santo. Logo no início dos evangelhos encontramos, em Mateus e em João, a afirmação do fato de que Jesus é Deus. O apóstolo e evangelista Mateus declara: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)” - 1:23. Esta mesma verdade é declarada pelo apóstolo e evangelista João, com as seguintes palavras: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós...” (1:1 e 14). Além do mais, há dezenas de outros textos que cristalizam esta mesma verdade, tais como: Rm 9:5; Cl 2:9; Tt 2:13; Hb 1:8; 2P 1:1; I Jo 5:20, entre outros.

 

Com respeito ao Espírito Santo temos o texto de Atos 5:3-4, ocasião em que Ananias mentiu ao trazer a sua oferta “voluntária”. Nesta ocasião, o apóstolo Pedro declarou que ao mentir ao Espírito Santo, Ananias mentia ao próprio Deus. Além do mais, a Bíblia Sagrada afirma que há características que só a Deus podem ser atribuídas, as quais são vinculadas à natureza e obra do Espírito Santo, como por exemplo: a onipotência (Jó 33:4; Sl 104:30); a onipresença (Sl 139:7); a eternidade (Hb 9:14); enfim.. Essa verdade, mesmo que implicitamente, afirma que o Espírito Santo é Deus.

 

Portanto, compreendemos que o ÚNICO e SOBERANO DEUS é o Pai, e o Filho e o Espírito Santo, os quais Co-Existem, de eternidade a eternidade, ao mesmo tempo em que, não podem, absolutamente, ser separados, visto que são o ÚNICO DEUS. Se, porventura, querendo provar a trindade divina, formos ao extremo, e afirmarmos que o Pai não é o Filho, e que o Espírito não é o Pai nem o Filho, negando assim a Co-inerência do Deus Triúno, cairemos no abismo do politeísmo. Se todavia, negarmos a Co-existência do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, semelhante, cairemos no outro extremo do erro, o erro dos unicistas.

 

Por essa razão, é que julgamos importante definirmos a triunidade de Deus em duas expressões: Co-existência e Co-inerência; isto é, compreendemos que o ÚNICO DEUS existe em três pessoas distintas, de eternidade a eternidade, de modo que, os três, NÃO SÃO três essências distintas; mas, sendo um só Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo estão Co-inerentes um no outro, não podendo, portanto, serem separados ou divididos. Entretanto, essa unidade intrínseca de natureza, não anula o fato de o Pai, o Filho e o Espírito serem percebidos separadamente, simultaneamente.

 

Essa verdade misteriosa nos é apresentada em João 14.

 

A Co-existência do Deus triúno, é facilmente percebida em 14:16, que diz: “E eu [Filho] rogarei ao Pai, e ele vos dará outro consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”.

 

Todavia, na continuidade do discurso, o próprio Jesus já não faz separação entre as três pessoas da trindade divina, como se pode observar no versículo 17 de Jo 14: “o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ELE HABITA CONVOSCO e ESTARÁ EM VÓS”. Vejam o que é dito a respeito do Espírito da verdade: “...ele habita convosco e estará em vós”. Ora, quem era o que habitava entre os discípulos naquele momento? Não era, porventura o verbo que se fez carne e veio habitar entre nós? (Jo 1:14); não podemos afirmar que o Espírito naquele tempo habitava entre os discípulos, pois, até aquele momento o Espírito Santo ainda não havia vindo (Jo 7:39).

 

Vemos, neste caso, como que o Filho se identifica, essencialmente, com o Espírito da verdade, sendo portanto, o Filho e o Espírito, um só. Isto fica ainda mais comprovado, quando nos é dito que o Espírito da verdade “...estaria EM vós”. Perguntamos, pois: quem viria habitar o interior dos crentes? Jesus responde: “...Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e o meu Pai o amará, e VIREMOS E FAREMOS NELE MORADA” (14:23). Assim, tanto o Pai quanto o Filho são identificados com o Espírito da verdade, sendo os três, portanto, um só, como está escrito: “Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra (Verbo) e o Espírito Santo; e ESTES TRÊS SÃO UM]” (I Jo 5:7).

 

Além do mais, o Filho, em João 14, é também identificado com o Pai. Percebemos isso quando Filipe o inquiriu, dizendo: “... Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”.

 

A Co-inerência do Pai com o Filho fica mais uma vez comprovada nas palavras memoráveis de Jesus aos Seus discípulos: “Não vos deixareis órfãos, voltarei para vós outros” (14:18). Ora, quem pode deixar os filhos órfãos, senão o Pai? Ao dirigir-se Jesus aos Seus discípulos, o fez na qualidade de Pai, pois Ele e o Pai são um (Jo 10:30).

 

Somente com o entendimento da Co-inerência do Pai e do Filho, podemos compreender, sem prejuízos gramaticais, o que afirmou Jesus em Jo 14:6, dizendo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém VEM ao Pai a não ser por mim”. Observe que o Senhor Jesus não disse “...ninguém VAI ao Pai...” Mas, o que disse? “...Ninguém VEM ao Pai, a não ser por mim”. E por que o disse desse modo? Por causa da Co-inerência divina, conforme Ele próprio explicitou: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras” - Jo 14:10 e 11.

 

Esta verdade, mesmo que compreendida palidamente, ainda constitui e continuará a ser um grande mistério. Todavia, nos curvamos diante da revelação da Palavra de Deus  e afirmamos tudo o que ela nos diz: Deus é um só, Co-existindo e Co-inerindo em três pessoas distintas, o Pai, e o Filho e o Espírito Santo.

 

Com respeito à autoridade com que batizamos os novos crentes, não vemos nisso nenhuma dificuldade, visto que a Bíblia é muito clara a esse respeito. Leiamos o que disse o próprio Jesus: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os EM NOME do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” – Mt 28:19.

 

Ora, vede. Em que nome devemos batizar os que crêem? Ou melhor, em quantos nomes devemos batizá-los? De acordo com o texto sagrado, a autoridade do batismo se encontra em UM SÓ NOME, e esse único nome é do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.

 

Não foi assim que compreenderam os apóstolos de Jesus Cristo, quando por ocasião do primeiro batismo, responderam à multidão dos que creram, dizendo: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado EM NOME DE JESUS Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38)? Será que Pedro e os demais apóstolos (At 2:14) estavam em desobediência ao mandado de seu Mestre?

 

Não, de forma nenhuma. O que acontece é que quando Jesus lhes ordenou que batizassem em NOME do Pai, E do Filho, E do Espírito Santo, deu-lhes a fórmula, e quando eles batizaram, aplicaram-na de modo efetivo. Isto é, se a ordem de Cristo é para que batizassem em um só nome, sendo este do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, então é preciso saber qual é o nome do Deus triúno.

 

Vejamos o que disse o próprio Jesus sobre a questão do Nome. Em Jo 17:11-12, diz: “Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os EM TEU NOME, QUE ME DESTE, para que eles sejam um, assim como nós. Quando eu estava com eles, guardava-os NO TEU NOME, QUE ME DESTE, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura” (VRA).

 

O que a Bíblia nos ensina é que o Nome do Pai foi dado ao Filho, razão pela qual o sentido etimológico do nome Jesus, tanto na língua hebraica como na grega, é “Jeová é a Salvação” (TDNT – Strongs). Assim, também, acontece para com os muitos títulos do Pai, os quais, no Novo Testamento, são atribuídos ao Filho. Por exemplo: no Antigo Testamento o Pai é designado o “Eu Sou” (Ex 3:14), todavia, no Novo Testamento, a mesma designação é atribuída a Jesus (Jo 8:24 e 28). Não vemos, portanto, nenhuma surpresa, no fato de o nome “Jesus” ser o Nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.

 

Quando por ocasião do segundo batismo registrado na Bíblia Sagrada, como foi que os apóstolos Pedro e João procederam? Vejamos: “Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João; os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo; porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas SOMENTE HAVIAM SIDO BATIZADOS EM O NOME DO SENHOR JESUS” (At 8:14-16). Observe que não havia discussão ou dúvidas sobre em que nome se deveria batizar os novos crentes. Na verdade, não encontraremos, em todo o Novo Testamento, nenhuma discussão nesse sentido. Todos os apóstolos eram unânimes na compreensão do que dissera Jesus em Mt 28:19.

 

O mesmo acontece no terceiro batismo realizado pelos apóstolos, segundo o registro no livro de Atos: “Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo? E ORDENOU QUE FOSSEM BATIZADOS EM NOME DE JESUS CRISTO.” (10:47-48). Nisso percebemos a consistência da Palavra de Deus e a Sua unanimidade.

 

A compreensão apostólica a respeito do Nome de Deus era tão clara que o apóstolo Paulo, ao falar sobre a salvação, declarou que a mesma só era possível pelo invocar o Nome de Jesus Cristo (Rm 10:9). Todavia, ao fazê-lo, com qual texto ele fundamentou a sua asseveração? Paulo fundamentou o seu falar citando a passagem de Joel 3:32, texto no qual, está escrito: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR (Javé) será salvo...”. Ora, o que isso significa? Significa que o mesmo Nome Javé no Antigo Testamento é Jesus, na linguagem do Novo Testamento.

Por essa razão, dirigido por essa revelação, foi que o apóstolo Paulo, ao batizar os cristãos de Éfeso, o fez, semelhantemente, no Nome de Jesus: “Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus” (At 19:5).

 

Esse é o ensino claro das Escrituras, conforme, mais uma vez é ratificado nas páginas do Novo Testamento, em Romanos 6:3 e 4: “Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos BATIZADOS EM CRISTO JESUS fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida”.

 

Portanto, o modo como batizamos os cristãos novos é o modelo de Jesus Cristo, conforme a Sua Palavra (Mt 28:19) interpretada por Seus apóstolos. Batizamos todos os convertidos ao Deus Vivo na autoridade do Nome de Jesus Cristo – “Este é o verdadeiro Deus e a Vida Eterna” (I Jo 5:20).

 

Que Deus te abençoe e faça de você de sua vida uma bênção para o Corpo de Cristo.

 

 

 

Eu mesmo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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