Li o livro. E agora?

Caro Bispo Alexandre,

 

Acabei de ler o seu livro sobre dízimos e ofertas.  gostaria de perguntar o que fazer diante do sistema religioso evangélico de hoje, visto que financeiramente as igrejas giram em torno dos dízimos para se manterem.

 

Exemplo: se hoje eu disser ao meu pastor que não irei mais entregar dízimo mas somente ofertar, certamente estarei afrontando-o podendo até correr o risco de ser acusado de herege por não ser mais dizimista.

 

Também, caso todos venham a reconhecer que entregar dízimos é cobrança da velha aliança, como mudar o sistema dos dízimos para ofertas nas igrejas atuais?

 

 


 

Resposta:


Amado irmão em Cristo,


De antemão agradeço pelo seu interesse em ler e conhecer o livro “Dízimos e Ofertas à Luz da Bíblia”, o que certamente é um indicativo de tua busca pelo conhecimento da vontade de Deus quanto a esse respeito.

 

Esse livro contém o cerne do pensamento doutrinário sobre dízimos e ofertas, pensamento esse sustentado pelo Ministério de Volta à Palavra. Portanto, cabe a nós tirar todas as dúvidas que porventura vier a ocorrer, à medida que as pessoas discorrem suas páginas.


Quanto às tuas indagações, acompanhe-nos passo a passo:

 

1)   Você próprio conceituou muito bem, ao se referir à condição presente da maioria das “igrejas” evangélicas, chamando-as de “sistema religioso”. Na verdade, trata-se de um sistema muito bem elaborado por satanás e por homens, cujas mentes, privadas da verdade, supõem que a piedade é fonte de lucro (I Tm 6:5). O apóstolo Pedro, em sua segunda epístola, já profetizara que isso aconteceria, dizendo: Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, MOVIDOS POR AVAREZA, FARÃO COMÉRCIO DE VÓS, COM PALAVRAS FICTÍCIAS...” (2:1-3). Ora, aqueles que utilizam as ameaças da lei, buscando apóio na antiga aliança, com o fim de conseguir sucesso financeiro, ou não sabem distinguir entre antigo e novo testamento, ou então, como disse o apóstolo Pedro, usam de palavras fictícias com o fim de fazer comércio do povo de Deus. De um modo ou de outro, o prejuízo é sempre daqueles que são fies ao Senhor, e, por não possuir a instrução necessária, permanecem nas mãos dos mercenários, os quais, como diz a Escritura, não são pastores (Jo 10:12).

 

O sistema religioso, no sentido do qual estamos tratando, NÃO É identificado pelo fato de receber, da parte dos membros da igreja, dinheiro para a sua manutenção; mas caracteriza-se pela forte inclinação de fazer do dinheiro um elemento sagrado, e tê-lo como o centro de sua razão existencial. É a organização capitalista-religiosa, a qual em nome de Deus, chega a ponto de excluírem os filhos de Deus, por suas “inadimplências”, ou os exporem à vergonha em listas dos não-dizimistas. São as chamadas igrejas evangélicas que, se hoje ruísse o sistema capitalista, teriam suas portas fechadas, pois não haveria nenhuma outra razão para existirem.

 

2)   Com respeito ao fato de não estarmos sob o jugo e exigência da lei do dízimo, conforme se aplicava no antigo testamento, é preciso observar que o nosso comportamento não deve ser determinado pelo o que os homens vão falar, pois assim declarou o apóstolo Paulo: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1:10). Ora, se é verdadeiro o fato de sermos livres da lei (Rm 7:6), e de que nosso dever é determinado pelas páginas do novo testamento, então, “importa obedecer a Deus que aos homens” (At 5:29). Quando a obediência ao Senhor é contrária às ordens e tradições dos homens, devemos escolher a quem servir: se ao homem, servi-o; se a Deus, servi-o. Lembremos das palavras de Jesus Cristo: “... por que transgredis vós o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição?” “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt 15:3, 8-9).

 

Então, se pela tua obediência à Palavra de Deus, te chamarem de herege, não serás diferente do apóstolo Paulo e de todos os fiéis da igreja primitiva, os quais eram chamados por aqueles que mataram a Cristo, de seita e peste, conforme está registrado no livro dos Atos dos Apóstolos: “Porque, tendo nós verificado que este homem [Paulo] é uma peste e promove sedições entre os judeus esparsos por todo o mundo, sendo também o principal agitador da SEITA DOS NAZARENOS”. “Porém confesso-te que, segundo o Caminho, A QUE CHAMAM SEITA, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas” (At  24:5, 14). Nem serás menor que os milhares de santos que morreram nas fogueiras romanas, os quais, depois de terem seus rostos cobertos por capuzes, os quais traziam escrita a insígnia “herege”, eram amarrados em estacas e queimados vivos. Tudo isso devido a decisão de servirem unicamente ao Deus vivo. Todavia, em contrapartida, ouvirão da parte do Senhor, no dia de Sua vinda, as doces palavras: “... Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25:21)

 

3. O objetivo do livro e o seu conteúdo, não visam conduzir os santos a deixarem de contribuir para a sustentação da obra de Deus. Nem ao menos sugestionou, em parte alguma, que o valor das ofertas sejam menores do que os 10% da lei. Pelo contrário, afirmamos que o princípio das ofertas do novo testamento é o da generosidade, o que a faz sobreexcelente ao dízimo, visto que não se restringe aos padrões periféricos e mesquinhos da lei. Verifique este trecho do livro:

 

“A generosidade desconhece os limites mesquinhos do dízimo do Antigo Testamento. A sua capacidade de dar, não parte daquilo que possui, mas do quanto a obra de Deus necessita. A generosidade não se preocupa com o quanto lhe sobra, mas preocupa-se com o que ainda falta para o avanço do Reino de Deus. Esse era o sentimento que abundava nos corações dos irmãos macedônios, os quais, mesmo em profunda pobreza, rogaram para que não lhes tirassem a graça de participarem da assistência aos santos” (p. 56).

 

“A generosidade, portanto, é atributo daqueles que foram libertos, não somente da lei, mas também do pecado (Rm 6:18), isto é, do egoísmo e da avareza. Por essa razão sabem compartilhar, não somente 10%, mas em muito maior proporção, não na medida da lei, mas na medida de suas posses, e mesmo acima delas (2Co 8:3), fazendo de coração ao Senhor” (p. 58). 

 

Qual, então, é a diferença? A diferença encontra-se no modo como ofertamos: se coagido pela antiga aliança, ou inspirado pela nova aliança. Se ofertarmos pelo medo da punição, coagidos pelos ministros da morte e da condenação (2Co 3:7 e 9), não teremos como desfrutar os benefícios do novo testamento (Gl 3:10). Todavia, se comovidos pelo amor do Senhor, atraídos pela Sua misericórdia, nos entregarmos a Ele como sacrifício vivo, santo e agradável, então o nosso culto será racional e certamente aceito por Deus (Rm 12:1 cf. 2Co 5:14).

 

É importante nos lembrarmos que aquilo que dedicamos ao Senhor pode ou não ser aceito por Ele (Gn 4:4-5); tudo depende se o modo como fazemos está ou não de acordo com aquilo que o Senhor determinou, conforme o princípio estabelecido por Deus: “... Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto EM QUE SE OBEDEÇA À SUA PALAVRA? Eis que O OBEDECER É MELHOR DO QUE O SACRIFICAR, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros” (I Sm 15:22).

 

4. Quanto à mudança de um modelo para o outro, isto é, a mudança do modelo do antigo para o novo testamento, isso é algo que já deveria ter acontecido há dois mil anos atrás. Desde que o Senhor Jesus estabeleceu a nova aliança, a antiga deveria ter saído de cena, conforme está escrito na carta aos Hebreus, palavras ditas pelo próprio Jesus ao Pai: “... Remove o primeiro [pacto] para estabelecer o segundo” (Hb 10:9).

 

De todo modo, havendo sinceridade e um pouco de boa vontade, se os pastores se dedicarem no ensino conforme as Escrituras, não haverá nenhum problema ou dificuldade na efetivação da mudança. Basta que cada líder responsável por “sua” igreja local ministre com consciência boa, coração puro e fé sem hipocrisia (I Tm 1:5 e 19), e os santos certamente responderão positivamente à Palavra de Deus.

 

Quanto ao sistema, não é possível mudá-lo. Pois o próprio Senhor já o condenou e o sentenciou à destruição. Aos Seus filhos, todavia, que ainda se encontram lá dentro, é-lhes dito que saiam, enquanto é tempo, para não serem cúmplices dos seus pecados (Ap 18:4).

 

“Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração...” (Hb 3:7-8).


 

Eu mesmo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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