"Levante-se com renomado vigor, abra bem a boca, aja depressa"

Caro Bispo Alexandre,

 

se permitir um conselho para o senhor, com todo amor em Cristo, eu acho o seu programa é muito pesado para aqueles que precisam ouvir uma palavra de conforto e salvação.

 

Caro amado, se o senhor, com todo o conhecimento que possui, pregasse sem se preocupar em acusar outros ministérios ou maneira que Deus lhes deu visão, seja política, seja prosperidade, seja com coisas que parecem loucura, eu acho que a nossa função como homens de Deus não é julgar, e nunca expor desta forma em público, mas sim intercedendo e orando.

 

Ganhar almas não é fácil, e perdê-las é muito fácil. Então eu peço ao amado querido irmão em Cristo, que não considere este e-mail como uma crítica, mas sim uma maneira de aconselhar o caro irmão.

 

Com amor em Cristo.






Resposta:

 

Amado irmão em Cristo, Pr. (...)

 

Graça e Paz:

 

Quanto a mim, muito me alegra receber e-mails de pastores, tal qual o que me enviastes, e poder ter comunhão com homens de Deus que, de semelhante modo, se preocupam com o “sucesso” do reino de Deus.

 

Tendo em vista que o Corpo de Cristo não é nenhuma denominação específica, mas a totalidade de todos os verdadeiros cristãos remidos pelo sangue precioso de Cristo e regenerados pelo Seu Espírito vivificante, acredito que há pessoas verdadeiras e sinceras em todas as vertentes evangélicas. Por essa razão, recebo de boa vontade o seu conselho, considerando que o seu principal interesse é contribuir para o bom andamento da obra de Deus, em seu aspecto geral e, por outro lado, ajudar-me a proceder correto para com Deus e para com os demais ministérios, de modo a promover o avanço coletivo, em unidade, do evangelho do reino.

 

Todavia, cabe aqui a minha justificativa e defesa, estando eu aberto para as possíveis correções e aconselhamentos de vossa parte, depois de teres lido tudo e conferido com a verdade de Deus segundo as Escrituras Sagradas, única regra de fé e prática da Igreja de Jesus Cristo.

 

Passarei, portanto, à exposição da minha compreensão a respeito do papel da igreja e dos profetas da era do novo testamento, e de suas responsabilidades em face da incumbência, por eles recebida, pelo Espírito Santo. Ao final de cada proposição farei uma pergunta, a qual espero receber de vossa parte uma resposta.

 

1)  A era em que vivemos é uma era de apostasia:

 

A Bíblia nos fala a respeito de um tempo de apostasia e o identifica com o nosso tempo: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois HAVERÁ TEMPO EM QUE NÃO SUPORTARÃO A SÃ DOUTRINA; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se RECUSARÃO A DAR OUVIDOS À VERDADE, ENTREGANDO-SE ÀS FÁBULAS” (2Tm 4:1-4). Semelhantemente, em outro texto, o mesmo apóstolo Paulo diz: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, ALGUNS APOSTATARÃO DA FÉ, POR OBEDECEREM A ESPÍRITOS ENGANADORES E A ENSINOS DE DEMÔNIOS, PELA HIPOCRISIA DOS QUE FALAM MENTIRAS E QUE TÊM CAUTERIZADA A PRÓPRIA CONSCIÊNCIA” (I Tm 4:1-2). Ora, se a Bíblia fala de apostasia, não se refere, obviamente, aos descrentes, pois como podem estes se desviar da sã doutrina, se nunca estiveram nela? É certo que a apostasia profetizada nas Escrituras refere-se ao afastamento do povo de Deus de Sua verdade contida nas Escrituras.

 

Pergunto, pois: O que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo está fazendo diante desse quadro de apostasia tão patente aos olhos de todos, inclusive dos incrédulos? Qual deve ser o posicionamento dos servos de Deus diante das fábulas e genealogias (I Tm 1:3), pregadas com intuitos gananciosos, engenhosamente planejados, usando de palavras fictícias com o fim de enganar os sinceros e indefesos filhos de Deus? (2Pe 2:1-3). O QUE A BÍBLIA SAGRADA DIZ A ESSE RESPEITO?  

 

2)  A Igreja é coluna e baluarte da verdade e não pode ficar passiva diante do engano que bate à porta:

 

A Bíblia nos ensina que a igreja é “coluna e baluarte da verdade” (I Tm 3:15) e como tal, tem a tarefa de sustentar a verdade de Deus e declará-la a todo custo. De acordo com a epístola de Judas, 1:3, a igreja não pode ficar passiva diante do conflito entre a verdade e o engano, como está escrito: “Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a BATALHARDES, DILIGENTEMENTE, PELA FÉ QUE UMA VEZ POR TODAS FOI ENTREGUE AOS SANTOS”. Foi por essa razão que o apóstolo Paulo, no fim de seu ministério, declarou, dizendo: “COMBATI O BOM COMBATE, completei a carreira e guardei a fé” (2Tm 4:7).

 

Veja que tanto Judas quanto Paulo falam-nos sobre o combate travado em prol da fé, isto é, em defesa da verdade do evangelho em todas as suas peculiaridades, de acordo com o ensinamento de Jesus Cristo (I Tm 6:3-5). Como Paulo, semelhantemente, instrui Timóteo, o seu cooperador, que devesse COMBATER O BOM COMBATE DA FÉ (I Tm 6:12). De outra feita, advertiu o apóstolo dos gentios, dizendo: “Porque existem muitos insubordinados, palradores frívolos e enganadores, especialmente os da circuncisão. É PRECISO FAZÊ-LOS CALAR, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância. Foi mesmo, dentre eles, um seu profeta, que disse: Cretenses, sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos. Tal testemunho é exato. Portanto, REPREENDE-OS SEVERAMENTE, para que sejam sadios na fé e não se ocupem com fábulas judaicas, nem com mandamentos de HOMENS DESVIADOS DA VERDADE” (Tt 1:10-14).

 

Diante disso, pergunto: Tem a igreja de Jesus Cristo travado essa luta, pregado com vigor o santo evangelho em detrimento ao pseudo-evangelho dos últimos dias? Ou será que, em nome de uma falsa ética, temos silenciado nossas vozes, simplesmente para alcançar o favor dos homens (Gl 1:10-12)? O QUE DIZ A BÍBLIA NESSE SENTIDO?   

 

3)  Como fizeram todos os profetas de Deus, tanto do antigo como do novo testamento, diante da apostasia e do engano de satanás?

 

Quando fazemos uma leitura da Bíblia, de modo a perceber o conteúdo do falar dos profetas e o vigor com que pregaram, notamos que todos, tanto os do antigo como os do novo testamento, não se acovardaram diante da difícil e árdua incumbência de declarar a vontade de Deus a um povo intransigente em uma era de densas trevas. Vamos a alguns exemplos:

 

O profeta Isaías:

 

Esse foi designado para pregar à nação de Israel e a denunciar os pecados e desvios, primeiramente dos líderes, e depois, de todo o povo. Logo no primeiro capítulo, Israel em sua condição pecaminosa é descrito com uma linguagem figurada de um corpo pútrido e fétido, chaguento e purulento, como alguém corroído por câncer, devorado pelos vermes, enquanto ainda vivo. E para expressar quão grave era a situação do povo de Deus de então, chamou os líderes de Israel de “príncipes de Sodoma” e a nação de “povo de Gomorra” (Is 1:4-10).

 

O ministério de Isaías foi um ministério público, o qual, como um arauto, bradava nas ruas de Jerusalém com a sua voz, além de, por três anos, andar DESPIDO E DESCALÇO, com as NÁDEGAS DESCOBERTAS, como uma maneira agressiva de profetizar o fim do rei da Assíria, em quem Israel tanto confiava (Is 20:3-4).

 

Pergunto, pois: Que conselho deveríamos dar ao profeta Isaías, caso vivêssemos em seu tempo? Que não “acusasse os líderes de Israel de ‘príncipes de Sodoma’ e o povo de Israel de ‘povo de Gomorra’”?

 

Aconselharíamos o profeta a maneirar no modo de pregar, justificando ser desnecessário andar descalço e despido, com as nádegas de fora?

 

Porventura, deveríamos considerar que Isaías estaria se negando a pregar o amor de Deus, e que a sua mensagem faria com que as almas se perdessem ao invés de salvá-las?

 

Afinal, que conselho deveríamos dar ao profeta Isaías? O que a Bíblia Sagrada diz a esse respeito? 

 

O profeta Jeremias:

 

Dentre tantas coisas contras as quais lutou, Jeremias travou forte combate contra os falsos profetas. Seu falar era um falar denunciador, buscando levar o povo a pôr em dúvida o falar dos falsos profetas e a não lhes dar ouvidos, como está escrito: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor... Não mandei esses profetas; todavia, eles foram correndo; não lhes falei a eles; contudo, profetizaram... Tendo ouvido o que dizem aqueles falsos profetas, proclamando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei. Até quando sucederá isso no coração dos profetas que proclamam mentiras, que proclamam só o engano do próprio coração?... Portanto, eis que eu sou contra esses profetas, diz o Senhor, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu companheiro. EIS QUE EU SOU CONTRA ESSES PROFETAS, DIZ O SENHOR, QUE PREGAM A SUA PRÓPRIA PALAVRA E AFIRMA: ELE DISSE” (Jr 21:16, 21, 25-26 e 30-31).

 

Ora, esse foi um ministério de grandes e profundas denúncias. Afinal, para isso o Senhor Deus levantou Jeremias, “para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares” (Jr 1:10)Oh, que grande ministério! Que encargo que pesava sobre os seus ombros! E isso não somente no âmbito espiritual, mas com reflexos tangíveis na esfera física, como aconteceu depois de profetizar sobre a destruição do povo santo de Deus, na parábola da botija quebrada (Jr 19). E o que lhe ocorreu em decorrência de sua mensagem? “Pasur, filho do sacerdote Imer, que era PRESIDENTE NA CASA DO SENHOR, ouviu Jeremias profetizando estas coisas. Então, feriu Pasur ao profeta Jeremias e o meteu no tronco que estava na porta superior de Benjamim, na Casa do Senhor” (Jr 20:1-2).

 

A palavra de Jeremias ao povo santo de Deus de seu tempo era uma mensagem de denúncia contra o adultério espiritual da nação (Jr 3:1-2), de juízo (Jr 1:13-15) e de arrependimento (Jr 3:14). Não era, todavia, uma mensagem pálida e indiferente. Mas um falar que desafiava o reino das trevas, juntamente com os sacerdotes e líderes de Israel, os quais tendo abandonado ao Senhor, se uniram aos propósitos do maligno. Para isso, era preciso ter espírito valente e fronte determinada, como está escrito: “Tu, pois, cinge os lombos, dispõe-te e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantes diante deles, para que eu não te infunda espanto na sua presença. Eis que hoje te ponho por cidade fortificada, por coluna de ferro e por muros de bronze, contra todo o país, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes e contra o seu povo. Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão; porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te livrar” (Jr 1:17-19).    

 

Pergunto, pois: O que deveríamos falar ao profeta Jeremias diante de seu ministério tão forte e agressivo? Que a sua mensagem era pesada demais para aqueles que precisam ouvir uma palavra de conforto e salvação?

 

De que maneira as palavras de Jeremias contra os falsos profetas se aplicam a esses últimos dias em que estamos vivendo?

 

Se Jeremias vivesse nos dias de hoje e recebesse de Deus tal incumbência, deveríamos, porventura, achar que o profeta fosse um acusador, pelo simples fato de denunciar o procedimento dos líderes do presente século, os quais pregam um evangelho diferente daquele anunciado por Cristo e por Seus apóstolos? (Hb 2:3; Gl 1:6-9).

 

O que os fundamentos escriturísticos e a autoridade da Escritura diz a esse respeito?

 

Jesus, o Cristo:

 

E o que falar de Cristo e de Seu ministério? Há algo que muito me impressiona nos procedimentos ministeriais de Cristo. O Seu falar era cortante. E tal qual uma espada de dois gumes, o Seu falar possuía dois lados e dois aspectos antagônicos: por um lado, ao falar aos pastores da época, aos sacerdotes, escribas e fariseus, o fazia com um tom um tanto severo, a ponto de lhes chamar de filhos do diabo - Jo 8:44 (Vá falar palavras como essas hoje em dia, e os escribas e fariseus modernos se levantarão para fazê-lo calar). Por outro lado, todavia, ao se deparar com uma mulher pega em flagrante adultério, nua diante e caída aos Seus pés, acusada e condenada pela lei de Moisés, não proferiu nenhuma palavra de condenação; pelo contrário, com voz doce e recheada de amor, disse: “... eu não te condeno; vai e não peques mais” (Jo 8:11).

 

Ora, pensava eu, em minha mente natural, que a essa mulher o Senhor deveria chamar de filha do diabo, mas àqueles, aos que habitavam o templo santo com suas indumentárias sagradas, deveria chamar-lhes bem-aventurados, santos, homens de Deus, filhos do Altíssimo. Mas isso não aconteceu, senão de modo contrário. E por que? Porque enquanto os líderes religiosos de Seu tempo se ocultavam debaixo de uma falsa aparência, vestidos com a capa de uma falsa humildade e santificação, com os corações cheios de ganância, a mulher, por sua vez, estava completamente despida, no sentido figurado e literal, desprovida de qualquer veste que pudesse encobri-la de sua real condição.

 

O falar de Jesus aos homens de Seu tempo era de denúncia e reprovação. Não é sem razão que em certa ocasião, Jesus entrou no templo e, com um azorrague em Suas mãos, expulsou a todos os que, na aparência, eram os chamados homens de Deus, mas aos olhos de fogo dAquele que a tudo vê (Ap 1:14), eram cambistas e trapaceiros, os quais enganavam os pobres e desgraçados que buscavam o favor e a graça de Deus (Mt 21:12; Jo 2:13-17). E por que Jesus fez isso? Porque está escrito: “... o zelo da tua casa me consumirá” (Jo 2:17).

 

As palavras de Cristo eram, assim como Ele próprio, de dupla função, como a Pedra que para uns, “... veio a ser a principal pedra, angular...”, a qual serve de fundamento de edificação. Para outros, entretanto, “... pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos” (I Pe 2:7-8). As PALAVRAS DE CONFORTO E SALVAÇÃO eram para os que, embora não tivessem o que a religião vigente exigia, mas despidos de qualquer pretensão, caíam prostrados e humilhados diante do Salvador da humanidade, assim como a mulher pecadora, pega em flagrante adultério. Aos líderes, todavia, corroídos de ganância e cheios de hipocrisias, cabia-lhes as duras palavras de condenação, e isso de maneira pública, em pleno dia, no templo repleto de seus freqüentadores. Tais líderes foram expulsos e envergonhados publicamente aos olhos de toda a multidão, ao passo que a mulher pecadora, tanto quanto os pobres e doentes, encontraram abrigo, cura e libertação, em Cristo (Mt 21:14).

 

Diante dessas imagens, pergunto, pois: Porventura, Cristo, na qualidade de “homem de Deus”, se preocupava em acusar os sacerdotes, escribas e fariseus, e isso publicamente, ao passo que as almas que deveriam ser  salvar eram, por Ele, deixadas de lado?

 

Por que Cristo, ao invés de expô-los publicamente, expulsando-os do templo, e fazendo ainda um azorrague, não se retirou para interceder por eles em oração?

 

Que conselho daríamos a Cristo? Que o Senhor Jesus não procedesse desse modo, por considerarmos esse procedimento uma acusação? Ou, diríamos a Cristo que não os chamasse de filhos do diabo, publicamente, pois o modo diferente que pregavam, era, na verdade, formas e visões diferentes que Deus lhes havia dado? O que a Palavra de Deus tem a nos dizer a esse respeito?

 

Paulo, o apóstolo dos gentios:

 

Esse foi chamado pelos líderes dos judeus de PESTE e de PRINCIPAL AGITADOR DA SEITA DOS NAZARENOS (At 24:5), não porque era passivo diante do engano que, em nome da verdade, procurava perpetuar-se depois da morte de Cristo. Mas porque, sem medir conseqüências, ia às sinagogas, todos os sábados, a fim de discutir com os judeus e convencê-los da verdade que é Cristo (At 17:2; 18:4). Para tanto, todavia, era preciso mostrar como que as autoridades religiosas de Israel e também todo o povo, foram os que condenaram Cristo à morte (At 13:27). O mesmo ocorreu com Pedro em um de seus sermões, dizendo: “Vós, porém, negastes o Santo e o Justo e pedistes que vos concedessem um homicida. Dessarte, matastes o Autor da vida...” (At 3:14-15).

 

Ora, vede. Paulo era um homem determinado a viver ou morrer por aquilo que cria. Antes de se converter a Cristo, perseguia os cristãos, por acreditar que, desta maneira, prestava culto a Deus (Jo 16:2; I Co 15:9). Depois de convertido ao Senhor, ingressou na maratona da pregação do evangelho e, mesmo correndo risco de morte, todos os dias e o dia todo (Rm 8:36), não tinha a sua vida por preciosa (At 20:24), e estava disposto a glorificar o nome de Jesus em seu corpo, fosse pela vida ou fosse pela morte (Fp 1:20).

 

Tudo isso envolvia grande conflito com os religiosos judeus e com os pagãos gentios. Pois, pregar o verdadeiro evangelho é enfrentar reis e tribunais; é ser levado preso; ameaçado e açoitados NAS SINAGOGAS (Mt 10:17) e, por fim, ser morto (Mt 24:9), visto que a verdade de Deus confronta tudo o que não é a Sua Palavra. Isso suscita a ira dos homens ímpios que, embora se apresentam vestidos de ovelhas, por dentro são lobos roubadores (Mt 7:15; Mt 21:15; At 7:54, 57 e 58).

 

Há algo digno de nota na experiência de Paulo e da igreja primitiva. Conforme a narrativa de Lucas no livro de Atos, tendo Paulo se convertido e procurado os irmãos em Jerusalém, não foi, a princípio, aceito no meio dos irmãos (At 9:26). Assim foi, até que Barnabé tomando-o consigo o levou aos apóstolos, fato esse que apenas amenizou a situação, mas que não a resolveu de todo. De sorte que Paulo foi recebido na igreja em Jerusalém, não, porém, acolhido no seio da comunhão, ficando, de certo modo, deslocado.

 

Isso, todavia, não o intimidou. Pelo contrário, saiu pelas ruas de Jerusalém a pregar com ousadia em nome de Jesus. Diz o texto sagrado que Paulo falava e discutia com os helenistas, atitude essa que provocou muita contenda de palavras, a ponto de quererem matar o apóstolo. Quando, pois, essa notícia chegou aos ouvidos dos demais apóstolos, decidiram SILENCIAR Paulo, como está escrito: “Tendo, porém, isto chegado ao conhecimento dos irmãos, levaram-no até Cesaréia e dali o enviaram para Tarso” (At 9:30).  Mas por que fizeram isso? O fizeram com o fim de, uma vez silenciada a voz de Deus, manterem a paz com os que não crêem no verdadeiro evangelho. (Conferir: Atos 9:26-31).

 

O espírito de Paulo não se acovardava diante da apostasia de seu tempo. Ao escrever a carta aos Gálatas, batalhou fortemente contra ALGUNS QUE PERTURBAVAM as igrejas da Galácia, os quais PROCURAVAM PERVERTER O EVANGELHO DE CRISTO (Gl 1:7). Paulo não tinha compromisso com a mensagem que os homens de seu tempo pregavam, como ele próprio declarou: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1:10).

 

O espírito de Paulo era, pelo zelo do evangelho, tão severo quanto o de Cristo. Pois assim declarou o seu sentimento aos que pervertiam o evangelho: “Tomara até se mutilassem os que vos incitam à rebeldia” (Gl 5:12). Essa rebeldia a que se refere o apóstolo não é outra, senão o abandono da verdade recebida por Cristo em seu evangelho, e o apegar-se a um evangelho diferente, segundo os princípios da antiga aliança (Gl 1:6-9; 3:1-14; 4:8-11; 5:1-12).

 

Foi esse mesmo apóstolo que instruiu a Timóteo a não se calar, dizendo: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: PREGA A PALAVRA, INSTA, QUER SEJA OPORTUNO, QUER NÃO, CORRIGE, REPREENDE, EXORTA COM TODA A LONGANIMIDADE E DOUTRINA. Pois HAVERÁ TEMPO EM QUE NÃO SUPORTARÃO A SÃ DOUTRINA; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se RECUSARÃO A DAR OUVIDOS À VERDADE, ENTREGANDO-SE ÀS FÁBULAS” (2Tm 4:1-4).

 

Pergunto, pois: Porque Paulo era chamado de PESTE e de PRINCIPAL AGITADOR da seita dos nazarenos?

 

Será que, à semelhança dos primeiros irmãos, devemos nos calar diante da apostasia presente, simplesmente para manter uma suposta paz entre os chamados evangélicos, enquanto a paz de Deus está sendo perdida?

 

Martinho Lutero da reforma protestante, séc. XVI:

 

Este é mais um ícone da história da igreja, o qual não poderia deixar de mencionar. Um homem tão grande quanto o seu próprio nome, que na era de maior escuridão e apostasia da igreja, desbravou sua voz contra o maligno sistema religioso romano.

 

Lutero, como um verdadeiro arauto de Cristo, no dia 1º de Novembro de 1517, pregou, às portas da catedral de Wittenberg, as suas “Noventa e Cinco Teses”, inaugurando, assim, o grande movimento de reforma protestante. Desse dia em diante, Roma não mais teve sossego. Aleluia! Como o próprio Lutero dizia: “Levante-se com renomado vigor, abra bem a boca, aja depressa”.

 

Que tipo de mensagem Lutero pregava? Tomemos, por exemplo, o sermão que ele pregou sobre Estêvão, e vejamos o vigor com que falava e com que bravura denunciava os erros e os desvios da igreja apóstata. Vejamos alguns trechos:

 

“Não é deplorável e miserável erro e ilusão ensinar pessoas inocentes a depender de suas obras para a grande depreciação de sua fé cristã? Melhor destruir todas as igrejas e catedrais do mundo, queimá-las até virarem cinzas – é menos pecaminoso mesmo quando feito por malícia –, do que permitir que uma alma seja enganada e se perca por tal erro” – GRANDES SERMÕES DO MUNDO, DE Clarence E. Macartney (Editor), Tradução de Degmar Ribas Júnior – CPAD, p. 65.

 

Observe como eram expressivas e condenatórias as palavras de Lutero, e como utilizava um tom extremamente vigoroso para fazer emudecer o inimigo:

 

“Agora vocês percebem por que os raios caem com mais freqüência nas suntuosas igrejas papistas do que em outros edifícios. Aparentemente, a ira de Deus repousa sobretudo nelas, porque ali são cometidos mais pecados, são ditas mais blasfêmias e é feita mais destruição de almas e de igrejas do que em bordéis e antros de ladrões. O guarda de um bordel público é menos pecador que o pregador que não entrega o verdadeiro evangelho, e o bordel não é tão ruim assim como a igreja do falso pregador. Mesmo se o proprietário do bordel prostituísse diariamente virgens, esposas religiosas e freiras – por mais terrível e abominável que seja tais coisas –, ele não seria pior nem causaria mais dano que esses pregadores papistas” - GRANDES SERMÕES DO MUNDO, DE Clarence E. Macartney (Editor), Tradução de Degmar Ribas Júnior – CPAD, p. 66.

 

Repousava, certamente, sobre Lutero o mesmo Espírito que imbuía e capacitava o profeta Ezequiel, que o fazia corajoso e valente, como está escrito: “Eis que fiz duro o teu rosto contra o rosto deles e dura a tua fronte, contra a sua fronte. Fiz a tua fronte como o diamante, mais dura do que a pederneira; não os temas, pois, nem te assustes com o seu rosto, porque são casa rebelde” (Ez 3:8-9). Sem tal espírito, não seria possível explodir a grande reforma protestante. Por essa razão, durante esse tempo, muitos foram os mártires, os quais padeceram pelo nome de Cristo, uns comidos pelos leões, outros consumidos pelas chamas das fogueiras da inquisição, outros dilacerados, outros mortos à míngua – a pão e água, ainda outros estrangulados, esquartejados, grelhados, degolados, enforcados, torturados, retalhados e até crucificados.

 

Tudo isso por SUSTENTAREM PUBLICAMENTE o testemunho da sã doutrina de Cristo e por se apresentarem diante dos tribunais papistas e do povo como antitestemunhas das obras das trevas que a igreja romana praticava.

 

Diante de tudo isso, pergunto: Deveria Lutero e os demais reformadores silenciar suas vozes, promovendo, assim, a lei da boa vizinhança?

 

O que teríamos nós para aconselharmos a eles, estes que, pelo poder do Espírito Santo, possibilitaram o ressurgimento das muitas verdades praticadas pelas igrejas protestantes do tempo presente?

 

Porventura Lutero poderia ser chamado de acusador quando, valorosamente denunciava a corrupção da igreja apóstata, e isso de forma pública, em alto e bom som, por meio de ensinamentos, debates, pregações, panfletagens, tradução e composição de músicas? Respondam, à luz da Palavra de Deus, quem tem sabedoria.          

 

Através do testemunho de toda a história do povo de Deus, tanto os do novo quanto os do antigo testamento, ver-se claramente como que a igreja dos dias de hoje está apática diante da corrupção e da apostasia que lhe corroem os fundamentos. E isso nos leva a perguntar:

 

Será que a apostasia prevista pela Bíblia para os últimos dias ainda não é chegada?

 

Ou será que ela chegou e os olhos do povo sincero de Deus estão embaçados pelo vinho da prostituição e seus corações tomados de insensibilidade, e insensibilidade tal, que já não percebem mais o seu estado decaído?

 

Ou será que os homens de Deus, os que deveriam se levantar para declarar a Palavra de Deus contra toda sorte de apostasia, se venderam por um preço tão baixo, a preço de prostituição, que são devedores ao sistema babilônico, ficando impedidos de anunciar a verdade de Deus, por terem feito alianças ilícitas e incestuosas com a grande prostituta e terem sido apadrinhados pelo espírito do anticristo? O que diz a Bíblia Sagrada a esse respeito?   

 

Deixo-vos, portanto, essa reflexão, para que todos quantos queiram, líderes ou liderados na Casa de Deus, leiam e respondam cada uma das questões levantadas a partir dos exemplos dados, tomando o cuidado de vos isentar dos "achismos" e do parecer particular. Para tanto, elegemos a Bíblia Sagrada como comarca em que todos os problemas possam ser solucionados.    

 

Colocamo-nos, também, à vossa disposição para dirimir quaisquer dúvidas que, eventualmente, possa surgir.

 

Eu mesmo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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