Comunhão com o Corpo de Cristo

Jesus é o Senhor!

 

Sou da Igreja que se reúne em Brasília e tenho assistido ao seu programa aos sábados. Seu falar é muito parecido com o falar da igreja. Por acaso o senhor já se reuniu conosco?

 

Tenho indicado seu programa para outras pessoas, porém, em alguns momentos seu falar é semelhante aos costumes religiosos, como: culto, títulos pessoais, nomenclatura pra igreja, enfim será que essas práticas não são divisivas ao Corpo de Cristo?

 

Com temor e tremor, mas com amor, "e, para que não haja divisão no Corpo de Cristo".
"Ao único Deus todo louvor, honra glória e adoração"





Resposta:

 

Amada irmã em Cristo:

 

Graça e Paz,

 

É uma satisfação poder corresponder-me com a irmã, haja vista haver tão pouca comunhão entre os muitos filhos de Deus espalhados por todo o mundo. Acredito que o caminho da edificação do corpo de Cristo encontra-se na quebra de barreiras denominacionais (mesmo daqueles que pensam não possuir nenhuma denominação). A grande verdade neste sentido, o que a Palavra de Deus nos ensina, o que semelhantemente é ratificado pelo servo de Deus - Watchman Nee, em muitos de seus livros, é que a igreja de Jesus Cristo é constituída pela somatória de todos os que crêem no nome de Jesus Cristo, os que um dia foram comprados pelo Seu sangue e regenerados pela Sua vida de ressurreição, independentemente do tempo e do espaço em que tenham vivido. Esta é a igreja em seus aspectos universal e atemporal. 

 

Todavia, a realidade vivida pelos filhos de Deus é de completa divisão, divisão essa causada por questões doutrinárias, por parte daqueles que nada entendem da economia divina, os quais enfatizam o que não tem relevância para o propósito de Deus, e exaltam e praticam até mesmo coisas extrabíblicas. A mesma divisão é alimentada, semelhantemente, por aqueles que, tendo visto algo, entregaram-se ao orgulho espiritual, o que os levaram a se isolarem de seus irmãos e a, inconscientemente, manterem uma instituição, a qual representa apenas uma parte, e não o todo do Corpo de Cristo, como se fosse a totalidade. Quando digo <inconscientemente>, refiro-me ao fato de que na doutrina, isto é, no papel, tudo parece certinho, mas na prática manifesta-se uma verdadeira e sutil facção. Por essa razão, ao tratar dessas questões, escreveu o irmão Watchman Nee, em seu livro Palestras Adicionais Sobre a Vida da Igreja, dizendo: 

 

"Quando deseja saber se uma igreja é ou não uma igreja em Tientsin, tudo o que devo fazer é ver se ela recebe todos os salvos residentes em Tientisin. Suponhamos que os irmãos em Tientsin queiram ser seletivos: só desejam receber certo tipo de pessoas recebidas por Cristo, mas não a outro tipo de pessoas a quem Cristo também recebeu. Então, tal não é a igreja. Vocês não podem dizer que recebem somente aqueles que são iguais a vocês e rejeitam os que não são iguais. Não podem, por razão alguma, deixar de receber alguém que o Senhor recebeu! Caso contrário, não são a igreja" – P. 56. 

 

É comum o comportamento, não somente de um, mas de vários grupos chamados “igrejas”, de, no primeiro momento, afirmarem ser uma igreja local por incluírem todos os santos de determinada localidade. Todavia, o que deve ser colocado em pauta não é exatamente a questão da inclusão social, mas a inclusão social a partir de paradigmas bíblicos que os tornam um no Espírito e na Fé. É certo que uma igreja verdadeiramente inclusiva não deve incluir aqueles que se opõem ao propósito de Deus. Destes, disse o apóstolo, foge (2Tm 3:5). Deve, portanto, ser uma inclusividade de todos os que têm a Bíblia Sagrada por única fonte de fé, e que se submetem à sua autoridade. 

 

É nesse ponto que se instaura o problema: quando tal grupo cristão não pode aceitar o que a Bíblia ensina, simplesmente porque os seus líderes maiores consideram, não pela Escritura, mas por sua experiência fracassada, que não é saudável este ou aquele ensinamento escriturístico. Um clássico exemplo disso foi-nos apresentado pelo irmão Watchman Nee, no referido livro acima: 

 

“Vem à tona, por exemplo, o assunto dos dons espirituais, sobre as quais temos falado nestes dias. Dizemo-nos ser a igreja em Xangai; mas suponhamos que os irmãos daqui não acreditem em dons espirituais. Isso está correto? Não! A igreja não pode deixar de crer em dons espirituais, porque na Bíblia há dons espirituais. No momento em que vocês não acreditam em dons espirituais, não podem ser a igreja em Xangai. Só podem ser chamados ‘uma igreja em Xangai que não acredita em dons espirituais’. A sua falta em não crer em dons espirituais faz com que vocês não sejam inclusivos, mas exclusivos para com certos irmãos. Suponhamos que haja vinte irmãos em Xangai que acreditam em dons espirituais. Uma vez que vocês recusam acreditar em dons espirituais, não podem incluí-los, e os marginalizam. Como eles são membros do Corpo de Cristo, o fato de vocês os excluírem talvez não seja como amputar uma das mãos, mas pelo menos é como amputar um dedo. Vocês, por conseguinte, não podem dizer que esta igreja está cheia da plenitude de Cristo. Vocês não cumpriram a palavra de Deus” – P. 61-62. 

 

Portanto, querida irmã, a comunhão continua ainda sendo o melhor caminho na busca da edificação da igreja. Entrar em contato e fazer questionamentos saudáveis, em amor e com tremor, como você o fez, é um bom começo para que, com a justa cooperação de cada parte (Ef 4:16), possamos ser ajudados e, se possível, ajudarmos outros a encontrar o caminho da bênção de Deus (Sl 133:1 e 3). 

 

Quanto ao modo como nos referimos à reunião da igreja – CULTO, vale a pena lembrarmos que este não é um substantivo próprio da religião. Pelo contrário, é um termo bíblico ensinado em toda a Escritura. Jesus, por exemplo, quando tentado pelo diabo disse: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás CULTO” (Mt 4:10 – ênfase acrescentada). Ora, tendo em vista que o congregar dos santos acontece em dois sentidos, isto é, no sentido horizontal – o aspecto da mutualidade entre os irmãos, e no sentido vertical – a adoração dos crentes ao Senhor, a Bíblia nos confere o substantivo “reunião” para o primeiro aspecto, e “CULTO” para o segundo (conferir Ex 20:5; Rm 9:4; 12:1; Hb 9:9). 

 

No que diz respeito a títulos de atribuições e funções ministeriais, faz-se necessário buscarmos o entendimento das Escrituras e rejeitarmos qualquer forma de desacordo escriturístico. O temo BISPO, não é da religião. Pois assim afirmou o apóstolo Paulo, dizendo:

 

“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu BISPOS, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20:28 – ênfase acrescentada).

 

“Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses PRESBÍTEROS, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o BISPO seja irrepreensível como despenseiro de Deus” ( Tt 1:5-7). 

 

Portanto não vemos nesta prática bíblica nenhuma semelhança com a religião. Pelo contrário, vemos uma continuação à prática da igreja apostólica, como que chegou até nós pelo fio condutor da Palavra de Deus. Vemos, todavia, muitos achismos humanos em torno deste tema: uns por pretensão, outros por humildade, ambas carnais. Há aqueles que buscando posição deturpam as designações bíblicas, ao bel prazer, sem nenhuma realidade. Outros, embora ostentem posição, preferem ser chamados de “irmão responsável”. Qual a razão bíblica, não pessoal, de fugir daquilo que a Palavra ensina, para se estabelecer o que não é escriturístico? Não seria isso, porventura, uma prática da religião, sejam quais forem as razões humanas? Podemos anular aquilo que Deus estabeleceu, para fazermos prevalecer as nossas opiniões? Creio que não. Não importa-nos as conseqüências; precisamos nos manter fiéis a toda a Palavra de Deus, até o fim. 

 

Que dizer das “nomenclaturas para igrejas”? Bem, quanto a isso não posso responder pelos outros, posso tão somente falar por mim. NÓS NÃO USAMOS NOME PARA A IGREJA. Cremos que, na cidade onde moramos, cidade de Ceilândia, há apenas uma igreja. Esta, todavia, não é o grupo a que pertenço. Também não é o grupo denominado “Igreja em Ceilândia”. Muito menos é o que chamam “Assembléia de Deus”, “Batista”, “Adventista”, Universal do Reino de Deus”, entre outros milhares. A verdadeira igreja de Jesus Cristo aqui em Ceilândia não pode ser encontrada reunida em nenhum local específico, haja vista a sua condição anormal. Uma parte desta igreja está na denominação Igreja Local (ou se preferir: Igreja sem nome – este é o nome dela). Outra parte encontra-se no grupo em que congrego; outra na denominação Batista, e assim sucessivamente. A igreja é a totalidade de todos os verdadeiros filhos de Deus, independente do espaço ou do tempo em que encontrem. Se eu afirmo que o grupo a que pertenço é A IGREJA, assevero com isso que os demais irmãos não o são. Alguém que conhece a Palavra e é fiel a ela só pode dizer que este ou aquele grupo é apenas uma parte da igreja. 

 

Evidentemente isto é um problema. Um problema, todavia, que pertence a todos nós. Pois, se faço parte da igreja, e a mesma está com problemas divisivos, não posso falar que isso não é um problema meu. A não ser que a igreja não seja a totalidade dos filhos de Deus numa determinada cidade, ou então que eu não faça parte dela. Se você, querida irmã, afirma que a igreja são todos os filhos de Deus regenerados, e estes se encontram espalhados nas muitas facções, então você também faz parte do problema, embora não contribua para a sua existência. Assim como está escrito: 

 

“De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” (I Co 12:26).

 

A questão fundamental que deve ser, então, discutida é: cada grupo cristão, dentro de uma mesma localidade, constitui, não uma igreja, mas um ministério. A igreja é uma só, mas ministérios são muitos. Este é o ensinamento claro das Escrituras que diz: 

 

“Tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se MINISTÉRIO, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo” (Rm 12:6-7 – ênfase acrescentada). 

 

Por exemplo, aqui na Ceilândia há vários ministérios. Um deles é o ministério do irmão Dong Yu Lan. O que seria, na prática, um ministério? Seria uma incumbência ou encargo de Deus entregue a alguém escolhido por Ele. Neste sentido, o irmão Dong tem procurado desenvolver o seu ministério não somente na Ceilândia, mas também em toda a América do Sul e outros continentes. Se o irmão não pode resolver o problema da divisão, pode, no mínimo, pregar e viver uma vida de integridade à luz da Palavra de Deus, juntamente com todos os que possuem a mesma visão. Mas, pergunto eu: quando os irmãos do CEAPE chegam a determinada cidade, em que já existem ali vários outros ministérios, o que fazem? Juntam-se a eles, ou estabelecem mais um ministério? Eles respondem: viemos aqui estabelecer o testemunho, o que em outras palavras é chamado de A Igreja. Mas, por que não se unem aos demais que ali estão reunidos? A resposta é uma só: é porque não compartilham da mesma visão do que podem chamar de Propósito de Deus. 

 

Assim, cada qual com a sua visão, e ninguém se propõe à comunhão para buscarem a unidade da fé, o que só é possível quando se chega à maturidade de vida (Ef 4:13-14). De sorte, que, no dia de Jesus Cristo, cada qual dará conta de si mesmo (Rm 14:12), se cumpriu com o ministério de Deus para a edificação do Seu corpo, ou se cumpriu com o seu próprio ministério.

 

Quanto a nós, portanto, cremos ter da parte do Senhor uma incumbência (mistério). O Senhor Jesus nos chamou para, juntamente com muitos outros espalhados na Terra, convidarmos os filhos de Deus a se voltarem à Palavra de Deus, o que justifica o nome do nosso ministério (não da igreja): Ministério Apostólico De Volta à Palavra. A nossa proposta é que os crentes em Cristo vivam pelo Espírito, debaixo da autoridade dos ensinamentos dos apóstolos, no Novo Testamento. Isto nós não conseguimos em outros lugares, principalmente na Igreja Local. Pois, dentre outros exemplos, poderia citar este: em Mt 28:19 diz que devemos batizar os discípulos de Cristo em o nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Os apóstolos entenderam que, batizar as pessoas no nome da trindade divina, era o mesmo que batizá-los no nome de Jesus (At 2:38; 8:16; 10:48; 19:5; Rm 6:3). Essa verdade foi percebida, também, pelo irmão Witness Lee, quando disse:

 

“... posteriormente, em Atos e nas epístolas, desvenda-se que batizar as pessoas no nome do Pai, do Filho e do Espírito é batizá-las no nome de Cristo (At 8:16; 19:5), e batizá-las no nome de Cristo é batizá-las na pessoa de Cristo (Gl 3:27; Rm 6:3), porque Cristo é a corporificarão do Deus triúno...” – Versão Restauração, Mt 28:196.

 

Pergunto, pois: por que a igreja local não batiza as pessoas no nome de Jesus? Por que pronunciam a fórmula sem confessar o nome do único, nome pelo qual importa que sejamos salvos? Esta é a maior prova da existência de práticas da religião no seio da igreja local, visto que o batismo com a fórmula sem a devida profissão do Nome, é próprio do catolicismo romano, e não da Bíblia Sagrada. O motivo pelo qual não se pratica tal ensinamento, não é por falta de base bíblica ou de aprovação do fundador original da igreja local, mas por causa do ponto de vista antibíblico do líder atual. 

 

Assim como esse, poderia citar vários outros pontos relevantes da doutrina de Cristo, os quais são sacrificados não só na igreja local, mas em muitas denominações atuais. Não poderíamos, pois, JAMAIS, nos curvar servilmente diante de doutrinas de homens, e voltar as costas à Doutrina de Deus, à qual é segundo à Sua vontade. 


Eu mesmo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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