O décimo segundo fundamento da Nova Jerusalém

Bom dia, Bispo Alexandre.

 

Tenho acompanhado suas pregações pela televisão e tive a oportunidade de participar de um culto aí no Ministério de Volta a Palavra. Hoje, lendo no site em "Apologia: Em defesa da fé" me deparei com o seguinte:

 

"Depois de Sua morte e ressurreição, falou o Senhor aos apóstolos, dizendo: ... Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio (Jo 20:21). Desse dia em diante, os primeiros apóstolos tinham sobre si a responsabilidade de transmitir à Igreja a verdadeira doutrina a ser seguida. Estes, na qualidade de prudentes construtores, lançaram o fundamento da fé cristã, não sendo, portanto, permitido que alguém, posteriormente, lance outro fundamento além do que já foi posto (I Co 3:11 cf. Gl 1:8-9). Razão pela qual, os doze primeiros apóstolos [incluindo Paulo, contado como o 12º], têm os seus nomes escritos nos 12 fundamentos da Nova Jerusalém (Ap 21:14), a qual é a Igreja glorificada cuja edificação está consumada e alicerçada sobre o fundamento dos apóstolos (Ef 2:20)."

 

Minha dúvida é: Como Paulo é contado como o 12º apóstolo, se em Atos 1.26 Matias foi escolhido para tal?

 




Resposta:

 

Amada irmã Suely,

 

Graça e Paz.

 

É verdade que em Atos dos Apóstolos temos o registro da candidatura e a eleição de Matias para o ministério apostólico. Entretanto, diante desse fato, devemos nos portar com bastante cuidado, utilizando-nos de critérios seguros, que garantam o pleno entendimento das Escrituras como um todo. Vamos aos fatos:

 

O termo apóstolo significa ENVIADO. Desse modo, pergunto: em que lugar, em Atos 1, encontramos Jesus Cristo chamando, separando e enviando Matias para o apostolado? Ora, o que vemos é a atitude – a meu ver, precipitada – do apóstolo Pedro, de tomar providência em promover eleição para a ocupação do 12º lugar do ministério apostólico. O fato de Pedro ter elegido Matias para o cargo não garante que Deus corroborou naquela decisão. Até mesmo por que, biblicamente, não existe eleição para o apostolado. Como o próprio nome designa, apóstolo é alguém enviado, pessoalmente, por Jesus, como podemos ler nas Escrituras (Jo 17:18; 20:21). Matias não poderia afirmar ser um enviado (apóstolo) de Jesus. Senão que, tão somente, poderia dizer: sou alguém eleito para o ministério apostólico, mediante a intervenção de Pedro e dos demais irmãos, antes do derramamento do Espírito Santo.

 

O mesmo NÃO ACONTECEU com Paulo. O que lemos, segundo o seu próprio testemunho, é o seguinte: “PAULO, APÓSTOLO, NÃO DA PARTE DE HOMENS, NEM POR INTERMÉDIO DE HOMEM ALGUM, MAS POR JESUS CRISTO E POR DEUS PAI...” (Gl 1:1). Estes são os verdadeiros princípios para o estabelecimento do apostolado: 1) não da parte de homens; 2) nem por intermédio de homem algum. Aqueles que são enviados da parte de homens, mesmo que carreguem o nome de apóstolos, certamente não o são; e se assim se consideram, devem identificar-se como apóstolos de homens, porque são enviados da parte de homens. E aqueles que são feitos “apóstolos” por intermédio de homem, de semelhante modo, não o podem ser. E por quê? Porque se alguém, à semelhança de Matias, chegar a algum lugar, dizendo-se apóstolo, e alguém lhe perguntar: és tu enviado (apóstolo) da parte de quem? O que poderia esse responder: da parte de Jesus Cristo, ou da parte de Pedro e dos demais irmãos de Jerusalém? E se outro o interpelasse, dizendo: tu és feito apóstolo (enviado) por intermédio de quem? Qual resposta estaria em maior consonância com o registro de Atos 1: fui constituído apóstolo por Jesus Cristo e por Deus o Pai, ou por intermédio de Pedro e demais irmãos de Jerusalém?

 

Entretanto, alguém poderá indagar, dizendo: mas Pedro não era apóstolo, ungido, guiado por Deus para a execução desta tarefa? Bem, nas Escrituras não encontramos nenhum sinal que Deus tenha ordenado que se fizesse tal eleição, ainda mais do modo como foi feita – lançado sortes (Atos 1:26). O que vemos, é tão só a ordem de permanecerem os discípulos em Jerusalém, até que do alto fossem revestidos de poder (Lc 24:49). Nada mais além disso. Por esta razão, por procederem, nos dias de hoje, por conta própria, quando nenhuma ordem objetiva é dada por Deus, é que o sistema denominacional evangélico se encontra do modo como está: milhares de pastores, quando na realidade há muito poucos; profetas que não tem na boca a Palavra de Deus, mas que são tidos por tais; mestres que não sabem nem para si, que dirá para outros; além de um número cada vez mais crescente de apóstolos enviados por si mesmos e representantes de suas próprias palavras e convicções.

 

Assim como Jesus chamou Pedro, Tiago e João e os demais apóstolos e os enviou para o representarem, assim aconteceu a Paulo. No caminho de Damasco, o Senhor lhe apareceu, pessoalmente, para salvá-lo e incumbi-lo desta tão alta e tão nobre e tão oblativa obra apostólica, dizendo: “Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, PARA TE CONSTITUIR ministro e TESTEMUNHA, tanto das coisas que viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais EU TE ENVIO” (At 26:16-17). Algum tempo depois, estando Paulo reunindo-se com os irmãos de Antioquia, disse o Espírito Santo: “Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra que os tenho chamado” (At 13:2).

 

A prova maior, todavia, de que PAULO é o nome que melhor preenche a vaga no ministério apostólico dos doze, é o fato de ele ter escrito mais da metade do novo testamento – dos 27 livros, 14 são de sua autoria, incluindo Hebreus na antologia paulina. A revelação nos diz que a Nova Jerusalém, a igreja glorificada, está edificada sobre doze fundamentos, nos quais estão escritos os nomes dos doze apóstolos (Ap 21:14). O que isso significa? Ora, isso quer dizer que a doutrina apostólica é o fundamento sobre o qual a igreja é edificada (Ef 2:20 cp. At 2:42). E se é assim, como pode aquele que é de mais de 50% da sã doutrina de Cristo ficar de fora desses fundamentos, se os fundamentos e a doutrina de Cristo são a mesma coisa? Como pode ficar de fora dos doze fundamentos, aquele que recebeu tão grandes revelações neotestamentárias, a ponto de Deus lhe colocar espinho na carne para que não se ensoberbecesse, por causa das grandezas das revelações que lhes foram dadas (2Co 12:1-7)? Como pode o apóstolo e testemunha, tanto dos gentios como do povo de Israel (At 26:17), aquele a quem foi revelada e entregue a dispensação da graça (Ef 3:1-7), ficar de fora das pedras que sustentam o edifício de Deus, mediante o revelar, o apregoar e o sustentar da verdade? Semelhante ideia é simplesmente inconcebível. O apóstolo Paulo foi o instrumento de Deus utilizado para definir, formatar, estruturar e explicar os mistérios de Deus quanto ao corpo místico de Cristo (Efésios), à salvação eterna (Romanos), à nova aliança (Gálatas e Hebreus), assim como configurou, doutrinariamente, a vida prática da igreja (1 Coríntios). Sem os seus ensinamentos, como poderíamos ser edificados pelo devido uso dos dons espirituais (1Co 12-14), pela celebração da ceia do Senhor (1Co 10-11), doutrinas somente encontradas, de modo sistemático e explícito, em suas cartas? Não é sem razão que o próprio apóstolo Pedro reconheceu a grandeza do apóstolo e de seus ensinamentos, dizendo: “[...] como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, SEGUNDO A SABEDORIA QUE LHE FOI DADA, ao falar acerca destes assuntos, como de fato costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas DIFÍCEIS DE ENTENDER, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (1Pe 3:15-16).

 

Há ainda de se levar em conta o que está dito em Colossenses 1:25, que diz: “Da qual me tornei servo de acordo com a convocação de Deus, que me foi outorgada para convosco, A FIM DE TORNAR COMPLETAMENTE CONHECIDA A PALAVRA DE DEUS” (Versão King James). A expressão grega usada por Paulo para o termo COMPLETAMENTE é PLEROO, isto é, tornar cheio, preencher até o máximo. Isso significa que Paulo é o apóstolo que traz a completação da Palavra de Deus. É ele quem a torna plena em seu sentido máximo, tanto da revelação quanto da explicação, mediante suas quatorze epístolas. Isso nos leva a conclusão de que o peso maior da revelação do novo testamento encontra-se em seus ombros. Este é certamente o significado do 12º fundamento: sendo o último, recebe o peso de todo o edifício – pois em todas as listas dos nomes dos apóstolos, a vaga de Judas, agora ocupada por Paulo, é a 12ª. Se Pedro, o primeiro a ser chamado (Mc 1:16), ocupa o primeiro lugar (Mt 10:2), Paulo, o últimos dos apóstolos (1Co 15:8-9), encontra-se na duo décima posição: a ametista de Deus (Ap 21:20), cujo significado é não derramador de sangue. Saulo depois de sua conversão, já não é mais conhecido como aquele que derrama sangue, mas é chamado profeticamente de amethustos (ametista), isto é, NÃO DERRAMADOR DE SANGUE (lit.). Se antes Saulo buscava os cristãos para serem julgados e mortos (At 9:1), agora, como quem preenche o que resta das aflições de Cristo, torna-se prudente construtor, lapidando pedras para a edificação da casa de Deus. Aqueles que outrora olhavam para Paulo, e dizia: lá se vai um derramador de sangue (methustos), agora diz: eis aí o homem que leva em si as marcas da cruz de Cristo, levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que a vida, por seu intermédio, se manifeste (cf. Gl 6:17; 2Co 4:10).

 

Com tudo isso, pois, não podemos entender que o apóstolo Paulo deixe de figurar como um dos fundamentos da Nova Jerusalém. Se a cidade santa, a igreja glorificada, repousa edificada sobre o lastro da verdade neotestamentária, não é possível que Paulo – maior representante do novo testamento – diante de tudo o que foi exposto, fique de fora do grupo dos doze fundamentos apostólicos.

 

 

Eu mesmo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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