Por quê o senhor se intitula Bispo?

Graça e Paz de nosso Senhor, amado bispo.


Amado Servo de Deus,

Assisti com muita atenção sua fala neste último domingo, dia 19/06. Uma questão teológica me chamou a atenção: quando o senhor diz que muitos destes títulos de hoje, se não entendi errado, não tem base bíblica. Se não continuo errado na interpretação pessoal de as palavras é mais egoísmo dos detentores de tais títulos. Interessante. Para que tais títulos, não somos todos servos?

 

Mas me responda com franqueza, por quê o senhor se intitula Bispo?

 

No amor de Cristo Jesus.

Pr. [...]


 

Resposta:

 

A Bíblia é a Palavra de Deus. Como tal, constitui-se única regra de fé e de prática cristãs para todo verdadeiro servo de Deus. Ninguém está autorizado, a despeito do que quer que seja – pastor, bispo, profeta, apóstolo –, a adicionar ou subtrair qualquer verdade da Escritura (cf. Dt 4:2; Pv 30:5-6; Ap 22:18-19). Ao longo da história, e a História está disponível a todos os que desejam lê-la, os homens, muitas vezes, simplesmente ignoraram a Palavra de Deus para caminharem de acordo com os seus achismos: uns alterando a Escritura, outros subtraindo algo dela. De todo modo, tanto uns quanto outros são devedores à verdade de Deus e serão julgados pelas suas petulâncias e prepotências, por quererem saber mais do que o Senhor, o cabeça da igreja.

 

Jesus é o arquiteto de Sua igreja, e ele próprio prometeu levar a cabo a sua edificação (Mt 16:18). A igreja de Cristo, a qual é a Sua casa (1Tm 3:15), possui uma planta, um modelo. Assim como o Tabernáculo – figura da igreja neotestamentária – foi revelado a Moisés no monte Sinai, e a ele foi ordenado que o edificasse conforme o modelo que lhe foi mostrado, assim também a igreja (Ex 25:8-9). Sua estrutura nos é apresentada na própria Escritura. Não precisamos inventar (criar), por pura pretensão, nem mesmo nos esquivar do que nos foi apostolicamente legado, como se fôssemos mais santos ou mais humildes que os próprios apóstolos, cujos ensinamentos são os fundamentos da igreja (Ef 2:20 cp. Ap 21:14). TODO AQUELE QUE DESEJAR SERVIR A DEUS SEGUNDO A SUA VONTADE DEVE CINGIR-SE COM A VERDADE, RESTRINGINDO-SE AO ENSINAMENTO CLARO E PURO DA BÍBLIA SAGRADA, A PALAVRA DE DEUS.

 

O que, então, nos ensina a Verdade sobre a estrutura da igreja? Bem. Analisemos passo a passo o ensinamento apostólico do novo testamento, começando pelo aspecto universal da igreja até alcançarmos o seu aspecto local. E, na medida em que fizermos a exposição do que ensina a Escritura, faremos também as devidas refutações dos desvios, que marcaram a igreja ao longo de sua história.

 

Em 1 Coríntios 12:28, lemos: A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres [...]. Esta é a segurança da verdade em que cremos e praticamos: Deus, o Senhor e cabeça da igreja, Ele próprio estabeleceu NA IGREJA apóstolos, profetas e mestres. Não são estas designações invenções de pretenciosos, ou de orgulhosos, ou de quem procura ser melhor que outros. Tratam-se, na verdade, da ordem de autoridade no estabelecimento, aplicação e ensino da verdade neotestamentária, respectivamente. O mesmo encontramos em Efésios 4:11, que diz: E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres. De tal maneira são consideradas canônicas tais designações, que eram reconhecidas e utilizadas pelos líderes da primeira igreja de Jesus Cristo, no primeiro século. Assim, pois, são designados apóstolos: Pedro (1Pe 1:1), Paulo (Gl 1:1), Barnabé (At 14:4, 14), dentre tantos outros; são chamados biblicamente profetas: Judas e Silas (At 15:32), Ágabo (At 21:10); de evangelista: Filipe (At 21:8); e de profetas e mestres os tantos arrolados em Atos 13:1.

 

O problema, entretanto, não são os nomes com os quais a própria Escritura designa os líderes e ministros na casa de Deus. A questão é como os cristãos da pós-modernidade entende e pratica estas coisas. O desvio encontra-se na suplantação das atribuições e funções subjacentes a esses designativos pela mera significação e ostentação de uma hierarquia humana, decaída e maligna. Para os cristãos do tempo primitivo, estes ministérios não significavam uma hierarquia, como se fossem degraus a serem galgados. Não existia essa coisa de a pessoa começar como obreiro (diácono), depois ser promovido a evangelista, depois a pastor, depois a bispo, até chegar a apóstolo, como hoje se vê. A grande prova dessa concepção não hierárquica encontra-se na própria declaração de Pedro, o qual no início de sua primeira epístola declara-se apóstolo (1:1), e no final afirma ser, concomitantemente, presbítero (5:1). Ora, como entender o fato de Pedro ser, ao mesmo tempo, apóstolo e presbítero? Isso simplesmente não se coaduna com a tessitura do atual sistema religioso clerical. E o que falar de Filipe, que é-nos apresentado como diácono e evangelista (At 6:5 e 21:8)? Tal concepção é antiquada segundo o modelo decaído dos nossos dias. Toda essa discrepância existe porque, enquanto nos primeiros dias da igreja tais designações eram vistas como ministérios e funções específicas na obra de Deus, nos dias atuais são entendidas como meros patamares, hierárquicos, galgados pelos “faraós” nas pirâmides de suas ascensões profissionais dentro do grande sistema babilônico. Muitos dos que hoje em dia se chamam apóstolos, se colocados à prova, serão encontrados mentirosos (Ap 2:2). Grande parte dos que se autodeclaram profetas só podem ser falsos profetas, haja vista terem a aparência de cordeiro, enquanto o seu falar é de dragão (Ap 11:13). Os mestres, na sua maioria esmagadora, são mestres que ensinam segundo a cobiça daqueles que os procuram com o fim de ouvirem o que desejam ouvir. Estes sentem coceiras nos ouvidos e, para se virem aliviados, buscam ouvir palavras de prosperidade e de aprovação por parte dos mestres enganados ou enganadores (2Tm 4:3).

 

Em contrapartida, onde estão os verdadeiros apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres? Esquivam-se do ensinamento claro das Escrituras, preferindo uma falsa humildade a se posicionarem, no poder do Espírito Santo, para que fique evidenciado o que de fato significam estes ministérios. Enquanto os homens maus e perversos utilizam-se, indevidamente, dos nomes bíblicos atribuídos aos ministros do Senhor em Sua casa, os que deles deveriam fazer uso, a fim de manifestar – ao máximo – sua essência, mantêm-se nas cavernas, considerando incorreto o uso de tais designativos, com o “argumento” de que todos os santos são iguais. Isto, certamente – o fato de todos os santos serem iguais –, é verdade. Todavia aprouve ao próprio Deus estabelecer, NA IGREJA, homens com dons e ministérios bem definidos e assim designá-los. Cabe, portanto, aos seus discípulos segui-lO, sempre, em conformidade com a Sua Palavra e com a Sua vontade.

 

O mesmo se pode dizer dos líderes numa igreja local. O apóstolo Paulo assim definiu sua estrutura: Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os SANTOS, inclusive BISPOS E DIÁCONOS que vivem em Filipos (Fp 1:1). Numa igreja local, pois, há os santos, isto é, aqueles que foram santificados, em Cristo Jesus. Dentre esses, há os que são separados e ordenados bispos. Esse é um termo grego – EPISKOPOS – formado por um prefixo, EPI, que significa EM CIMA DE..., e um radical, SKOPOS, que quer dizer OBSERVADOR. Trata-se daqueles que, de uma posição privilegiada, podem ver e observar o bom andamento da casa de Deus. Esta posição não se refere a uma hierarquia, mas a uma visão clara a respeito da economia divina, que os tornam sábios, segundo a sabedoria da Palavra de Deus, para conduzir e julgar no meio do Seu povo. Por essa razão, os mesmo bispos são chamados também de presbíteros (At 20:17 e 28 cf. Tt 1:5 e 7). Essa é uma palavra grega que significa ancião, sênior, aquele que possui maior maturidade no meio da assembleia. Não quer dizer necessariamente um ancião na idade, mas no crescimento, na sabedoria, no juízo.

 

A religião evangélica dos dias atuais deturpou, entretanto, o seu sentido. Imitando a hierarquia da igreja romana, transformou o episcopado (função de bispo) em degrau a ser alcançado na pirâmide eclesiástica. Assim como no catolicismo os bispos estão acima dos presbíteros, mais comumente chamados de padres, no meio evangélico os chamados bispos, indevidamente, são considerados chefes dos pastores. Ora, essa disparidade não encontra na Escritura apoio. Os pastores de uma igreja local são chamados biblicamente de bispos devido a sua função de observador e em razão do horizonte privilegiado de “onde” podem ver claramente toda a igreja e o seu bom andamento. São também designados presbíteros devido ao grau de maturidade de vida que possuem. Não há, portanto, dicotomia entre presbítero e bispo; antes, bispo e presbítero são a mesma coisa; tratam-se, na verdade, de prismas e perspectivas diferentes do mesmo “objeto”.

 

Estes, conforme Atos 20:28, foram constituídos bispos pelo Espírito Santo para pastorear o rebanho de Deus, o qual ele [Deus] comprou com o Seu próprio sangue. Por isso, em razão de sua função prática, os bispos são também chamados de pastores, haja vista que quem pastoreia rebanho é pastor, segundo a metáfora em que a igreja de Cristo é representada por ovelhas, símbolo dos redimidos por Cristo, o supremo e bom pastor. Este, por meio de Seu Espírito, constitui, dentre as muitas ovelhas do Seu rebanho, pastores (bispos), que cumprem com o papel de cuidar da igreja, que Ele comprou com o Seu próprio sangue (At 20:28).

 

Este é o testemunho da Bíblia Sagrada com respeito à estrutura da igreja de Jesus Cristo, tanto em seu aspecto universal quanto local. Não há, pois, de minha parte – bispo Alexandre Rodrigues – nenhuma contradição ao me opor frontalmente ao sistema religioso de nossos dias. O fato de eu denunciar o erro a respeito da usurpação e manipulação dos designativos bíblicos, não me impede de fazer uso correto dos mesmos. Pelo contrário, não vejo outro caminho, nem mesmo considero-me mais sábio ou mais esperto do que o próprio Senhor. Cabe a mim, e também a todos os verdadeiros servos de Cristo, unicamente seguir a Sua Palavra, sem dela retirar ou acrescentar qualquer coisa. Não há de se envergonhar, ou se orgulhar, os que se submetem a Deus e à Sua Palavra ao chamarem os santos de santos, os bispos de bispos, os diáconos de diáconos, os profetas de profetas, uma vez que toda a nossa vontade é satisfazer a vontade daquele que nos arregimentou.

 

Façamos, pois, da Bíblia Sagrada o nosso cinturão, o cinturão da verdade, com o qual cingimos os nossos lombos, para não fazermos o que queremos ou o que achamos que é correto. Pelo contrário, estando totalmente restringidos e limitados pela verdade objetiva da Palavra de Deus, cumprimos com toda a Sua vontade, sem dela nos esquivarmos, para que, naquele dia, possamos ouvir de Sua parte: servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor (Mt 25:21).

 

 

Eu mesmo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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