Divergência no ensino sobre o mar simbólico ou literal de apocalipse?

O irmão Alexandre está divergindo sobre o mar simbólico ou literal de apocalipse ou eu estou enganado?

Suposta divergência: video do estudo do evangelho de joão do dia 09/05/2012 quarta feira ,entre o minuto 76 a 80 deste video que está no justin TV e o video parte 20 do estudo de apocalipse (guarda a que horas estamos da noite) que esta no yotube ,minuto 7 ao 11 em diante do video: http://youtu.be/7698chw6hfc

Quero deixar claro que são apenas dúvidas que gostaria de eliminá-las.


 

Resposta:

 

Caro irmão em Cristo,

Graça e Paz.

A sua atitude de nos procurar e expor suas dúvidas a respeito dos ensinamentos bíblicos do Ministério Apostólico de Volta à Palavra é triplamente louvável: primeiro porque isso demonstra o seu interesse em conhecer – em verdade – as Escrituras Sagradas; segundo, por usar de prudência e não divulgar algo que, à primeira vista, parece equívoco, sem que primeiro tenha ouvido os responsáveis; terceiro, pela intenção demonstrada de entender, não a de contender, como muitos costumam fazer. Para outros, isso que você percebeu seria um trunfo, levando em conta a leviandade com que esses se portam diante da Palavra de Deus e da falta de respeito que costumam manifestar para com os que levam a sério a pregação do verdadeiro Evangelho. Com tais atitudes, esses falsos irmãos ganham alguns, cujos corações são aos deles semelhantes. Em você, entretanto, vê-se claramente o contrário: um coração que se aproxima com humilde desejo de saber onde se encontra a verdade.

Não estou aqui a tecer meras palavras de lisonja. Antes, assim digo, para que se manifestem os muitos tipos de corações, movidos pelos mais diversos interesses: uns movidos por amor, outros, por ódio; alguns como quem buscam a verdade, outros como quem semeiam confusão; uns poucos – altruisticamente – dando-se para ver a verdade “correr” com maior velocidade; muitos – egoisticamente – lutando contra a fé, visando à promoção de si próprio. Você, como os poucos que buscam encontrar a verdade, sem nenhum interesse pessoal, busca a comunhão conosco pedindo-nos a exatidão de nossa fé. Nisso consiste o nosso louvor.

O assunto em questão é assaz complexo, pois pertence à área da escatologia bíblica: o mar mencionado em Apocalipse é literal ou simbólico? O ponto, entretanto, não é se o mar é uma coisa ou outra; mas o fato de o bispo Alexandre Rodrigues afirmar, em ocasiões distintas, as duas coisas. Em mensagem ministrada na 6ª conferência bíblica, foi defendida a ideia de que o mar seja literal. Na ministração do estudo do Evangelho de João, todavia, disse-se o contrário: o mar seria simbólico. Ora, seria isso uma contradição?

Imagino as reações: “rsrsrsrsrs, pegamos ‘ele’”“meu Deus, e agora?”“calma, não tem nada errado; isso não é relevante”“eu sabia...”. E eu, diante de tais atitudes imaginárias – ou talvez reais –, o que faço? Alegro-me pela oportunidade de esclarecer, não a mim, mas a palavra exposta. A verdade está em ambas as ministrações. Não há contradição alguma, nem tampouco equívoco. O mar mencionado em Apocalipse é por um lado literal e por outro simbólico. Se bem observar os contextos em que as duas afirmações foram feitas, nas mensagens referidas, ver-se-á isso. Vejamos:

O mar de Apocalipse é simbólico. Em Apocalipse 13 nos é dito de uma besta que emerge do mar. Não se trata de um ser conhecido do reino animal. A Escritura afirma ser ele uma besta selvagem. Há, entretanto, algo muito curioso nesta figura. A besta é uma mistura de besta, leopardo, urso e leão (13:2). Quatro animais são aqui evocados numa só figura. O entendimento dessa visão depende certamente de outro texto das Escrituras.

Em Daniel 7, quatro animais são mostrados ao profeta: “Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, SUBIAM DO MAR” (vs.3 – grifos acrescentados). O primeiro era como leão (vs. 4); o segundo era semelhante a urso (vs. 5); o terceiro, um leopardo (vs. 6); e o quarto, um animal terrível e espantoso – uma besta (vs. 7). A bem da verdade, deve-se ressaltar que os quatro subiam do mar.

Ora, a identificação profética do mar, neste contexto, depende do significado desses quatro animais. E o que diz a Escritura serem esses animais? “Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra” (vs. 17). Veja, já temos aqui a primeira pista: tais animais são reis que se levantarão da terra.

Estes quatro reis, aqui representados pelos quatro animais, são também revelados em Daniel 2, no sonho do rei Nabucodonosor. Nesta profecia, os quatro reis são representados por uma estátua humana: cabeça de ouro, braços de prata, ventre e quadril de bronze, pernas de ferro e pés em parte de barro e em parte de ferro. E que reinos são esses segundo a revelação do profeta? São quatro reinos a se levantar sobre a terra: Babilônia (2:37-38); Média-Pérsia (2:39 cp. 5:22-28); Grécia (2:39 cp. 8:20-21); Roma (2:40-41). Este último reino não é chamado pelo nome, mas sabemos, pelo contexto contínuo da história bíblica, que é o reino que se segue à Grécia.

Assim se constrói o quadro profético a respeito dos reinos:

 

DANIEL 2

DANIEL 7

DANIEL 8

APOCALIPSE 13

 BABILÔNIA

 CABEÇA DE OURO

 LEÃO

   

 MÉDIA/PÉRSIA

 BRAÇOS DE PRATA

 URSO

CARNEIRO COM 2 CHIFRES

 

 GRÉCIA

 QUADRIL DE BRONZE

 LEOPARDO

 BODE PELUDO

 

 ROMA

 PERNAS DE FERRO

 BESTA

 

 BESTA

As profecias no tempo do profeta Daniel falavam da ascensão de quatro reinos gentílicos. Estes, representados por animais, subiriam do mar. O que isso significa? Será o caso de cada um desses reinos terem subido, literalmente, de dentro do mar Mediterrâneo? Certamente não. E o que, então, isso quer dizer? Ora, o mar no contexto profético simboliza o mundo gentílico (Ap 17:15). A visão, portanto, refere-se à ascensão de quatro REINOS GENTÍLICOS. Dentre as nações (mar), a seu devido tempo, cada um desses reinos seria proeminente na História, como de fato aconteceu.

Nos tempos de Cristo, Roma já havia ascendido ao poder. Entretanto, como bem declara as profecias do último livro das Escrituras, Roma há de ressurgir. Como as pernas de ferro, Roma foi o conhecido Império Romano. Como os pés quebrados – partes de ferro, partes de barro – Roma é o que se conhece hoje pela atual Europa (um império dividido). Como os dez dedos da estátua, Roma será um reino restaurado, nos últimos dias (Dn 2). Roma, quando por ocasião dos fins dos tempos, será um reino que subirá de entre as nações gentílicas. Nesse sentido, portanto, o mar é simbólico.

O mar de Apocalipse é literal. Sabemos que todos esses reinos, em sua ascensão, foram representados por um determinado rei. Babilônia, por Nabucodonosor; Média-Pérsia, por Ciro; Grécia, por Alexandre, o Grande; Roma, entretanto, é a exceção. Este último reino não é representado por um só nome, mas pelos seus Césares. Eis a razão por que é dito em Apocalipse 13:1 que a besta (Roma) tem sete cabeças. Ora, as sete cabeças da besta são sete reis (Ap 17:9-11).

Quando por ocasião do ressurgimento do Império Romano, em cumprimento a Ap 13, a besta será o ressurgir do Império – aspecto da profecia em que o mar deve ser visto simbolicamente –; mas, também, será o ressurgir do anticristo, homem, a sétima cabeça do Império, cuja ferida mortal será curada (Ap 13:3). Este é o aspecto da profecia em que o mar deve ser visto literalmente.

Há algo aqui que deve ser considerado. Para o apóstolo Paulo, o anticristo já existia no seu tempo. O texto de 2 Tessalonicenses declara que, já naquela ocasião, ele estava detido, aguardando o momento de se manifestar (2:3-8). Para João, algumas décadas depois, o anticristo era alguém que já não estava no meio dos homens, na terra, pois a seu respeito é dito: “a besta que viste ERA E NÃO É” (Ap 17:8 cf. 17:8). E onde ele se encontrava então? O mesmo texto responde: “ela está para emergir do abismo” (Ap 17:8). Esta é a razão por que aqui o mar deve ser entendido literalmente. O espírito do anticristo, aquele que era e não é, mas que está para emergir, está no abismo. Ele é o rei chamado de Abadom em Apocalipse 9:11, e que está no abismo (9:1-2). O abismo encontra-se no seio da terra (Nm 16:30-33). E o acesso comum ao abismo é pelo mar (Jn 2:2-6 cp. Ap 12:18 – 13:1 - VRA). Este abismo encontra-se no Hades (Lc 16:26), no coração da terra (Mt 12:40 cf. At 2:25-27 cp. Ef 4:9 – VRC). E é de lá que procederá o espírito do anticristo, e sairá pelo mar (Ap 17:8 cp. Ap 13:1). Nesse sentido, o mar deve ser visto literalmente.

Não há, portanto, contradição alguma. A besta enquanto Império gentílico a surgir no cenário político-mundial procede do mar simbólico das nações. A besta enquanto o rei que será empiricamente o anticristo, o homem da iniquidade, cujo nome em grego ou hebraico equivale ao número 666, procederá do abismo e emergirá do mar literal que encobre o abismo.

Este estudo a respeito do abismo é, entretanto, outro estudo tanto quanto complexo. Sugiro para maiores esclarecimentos que se assista à palestra Cinco Minutos Após a Morte. Quanto ao mais, desculpo-me pela brevidade da resposta, em razão do pouco tempo de que disponho devido às muitas atividades. Tal assunto certamente merece um trato um tanto mais apurado. Entretanto, assim fiz, resumidamente, a fim de atendê-lo e não deixá-lo sem resposta.

Eu mesmo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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