O que é primícias?

Graça e paz Bispo Alexandre Rodrigues Há alguns meses enviei uma pergunta ao senhor sobre primícias, e se fosse possível, gostaria de saber a luz da Bíblia o que é primícias. Na verdade, em minha igreja se prega primícias como uma nova doutrina. Eu tenho que dar mensalmente um dia do meu salário ao meu pastor. Um dos textos base para essa doutrina está em Ezequiel 44:30


 

Resposta:

 

Caro irmão em Cristo, Graça e Paz...

 

Para se entender à luz da Bíblia o presente assunto, torna-se necessário apresentar um caminho exegético – estritamente bíblico – capaz de estabelecer o significado seguro da questão. Digo isso porque certamente muitos se apresentam como senhores do saber, propondo-se explicar aquilo que não entendem. E, mediante sofismas, acabam ganhando as massas, que sem critérios seguem homens cegos, destituídos de visão adequada da Palavra de Deus. Assim, acontece como naquela passagem das Escrituras: são cegos guiando cegos.

Acompanhe, então, passo a passo, o pensamento bíblico.

 

1. PRIMÍCIAS dizem respeito a uma das ofertas estabelecidas ao povo de Israel, que deveria ser oferecida a Deus, no Templo, na festa anual chamada pelo mesmo nome, PRIMÍCIAS – Ex 23:26 Cf. Lv 23:9-14.

 

NOTA: Todas as menções a primícias, depois dessa referência, são textos correlatos, que visam ao esclarecimento ou à complementação e extensão do seu significado, ou são meras exortações feitas ao povo para que cumprissem as determinações divinas.

 

2. Como tal, as primícias faziam parte do sistema levítico, segundo a aliança feita entre Yahveh e o Seu povo, Israel, no monte Sinai – Ex 19 – 24.

 

NOTA: Todos os mandamentos, e estatutos, e juízos, e leis do sistema levítico foram escritos no LIVRO DA LEI (Levítico), que é o livro da aliança, a qual o povo de Israel se propôs cumprir – Ex 24:7.

 

3. Assim sendo, pergunto: o que o novo testamento diz sobre o referido sistema e aliança mosaicos? A Bíblia responde-nos dizendo:

“Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem” – Hb 10:1.

 

“Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro, se introduz esperança superior, pela qual nos achegamos a Deus” – Hb 7:18-19.

 

4. Ora, vede. A Escritura ensina expressamente que o sistema levítico era tão somente SOMBRA dos bens que haveriam de vir. Isso significa que não tinha substância em si mesmo; antes apenas apontava para a realidade a se manifestar no tempo oportuno de reforma – Hb 9:10 Cp. Cl 2:16-17. Este foi o tempo em que Cristo veio (Hb 9:11). Com a Sua vinda, o primeiro sistema de sacrifícios foi removido para que outro, o perfeito sacrifício de Cristo, fosse estabelecido (Hb 10:9). E qual foi o motivo da substituição de um pelo outro? É que o primeiro nunca jamais aperfeiçoou coisa alguma, por causa de sua fraqueza e inutilidade, conforme referenciado acima.

5. UMA NOVA ALIANÇA FOI FEITA COM O HOMEM. Diante deste novo pacto, o anterior já não resplandece. A glória da primeira aliança, infinitamente menor que a da segunda, se apagou na cruz do Calvário, quando o Cristo de Deus bradou, dizendo: “Pai, está tudo consumado” (2Co 3:6-11). O sacerdócio araônico chegou ao fim, e um novo sacerdócio foi instaurado (Hb 7:11-19). Já não servimos a Deus segundo os modelos e padrões do antigo testamento, mas conforme o novo testamento, em que Cristo é o Sumo sacerdote, e nós, a igreja, somos um reino de sacerdotes (Rm 7:6; 1Pe 2:9 Cp. Ap 1:6).

 

6. Portanto, já não há mais ofertas de primícias a ser oferecidas, segundo a materialidade e fugacidade do antigo testamento. Temos sim, Cristo Jesus, nossa eterna oferta, que oferecemos a Deus. O Cristo ressuscitado é as PRIMÍCIAS, que oferecemos a Deus (1Co 15:20). Este é o verdadeiro significado da oferta veterotestamentária: a ressurreição de Jesus Cristo. Uma vez que as festas de Israel são sombra de uma realidade vindoura (Cl 2:16-17), hão de significar alguma coisa no plano superior das realidades divinas: a páscoa – a primeira festa – apontava para a morte de Cristo (Lv 23:4-8 Cp. 1Co 5:7). As primícias – a segunda festa – fala de Sua ressurreição (1Co 15:20). O pentecostes – a terceira festa – fala da ascensão, entronização e exaltação de Cristo, o qual derramou o Espírito Santo como prova de Sua entrada na glória eterna do Pai (At 2:33-36). Enfatiza-se que o derramamento do Espírito Santo aconteceu AO CUMPRIR-SE O DIA DE PENTECOSTES (At 2:1), episódio no qual o Senhor salvou, inicialmente, três mil almas. Assim sendo, continuando com a figura da colheita, se Cristo é as PRIMÍCIAS em Sua ressurreição, isto é, os primeiros frutos colhidos, as muitas almas colhidas para Deus em toda a era “pentencostal” são a colheita do restante da seara.

 

7. No novo testamento, ainda que haja líderes-pastores no meio da igreja, não são, como dizem, sacerdotes de Deus em detrimento do restante da igreja. Na casa de Deus TODOS OS SANTOS são sacerdotes do Altíssimo. Afinal, conforme referenciado acima, somos um reino de sacerdotes. Não há tribo predileta de levitas, que servem de mediadores entre Deus e o povo. Todos podem entrar na presença de Deus, com intrepidez e ousadia, tendo unicamente a Jesus como o nosso grande sumo sacerdote (Hb 10:19-22).

 

Esta é a verdade encontrada em toda a Escritura Sagrada, não em parte dela. É a somatória de todas as partes que declararão a verdade. Quando se isola textos, cada um diz o que bem quer a respeito de qualquer coisa. O próprio satanás utilizou-se de textos isolados e descontextualizados para tentar a Cristo. Mas Jesus o repreendeu com um TAMBÉM ESTÁ ESCRITO. Quando se utiliza, pois, de fragmentos da Palavra, isolando-os de seus contextos, tal palavra já não é de Deus, mas do diabo. Muitos, assim – se por ignorância, não sei –, têm afastado verdadeiros filhos de Deus da verdade e os induzido a um falso serviço e relacionamento com Deus, que não promove a edificação.

 

Eu mesmo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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