Como acontece a ordenação de obreiros na igreja?

Meu pastor, sei que o senhor é um homem muito ocupado, mas venho por meio deste solicitar um esclarecimento sobre a ordenação de obreiros no seio da igreja. Estamos nos reunindo já ha algum tempo informalmente, mas o povo começa a querer tomar corpo, e eu estou assustado, pois não tenho a clareza necessária sobre este assunto, meu filho de 14 anos já está pedindo o batismo, mas gostaria que ele fosse batizado conforme vi aí no ministério, mas a grande questão é: quem pode batizar: só um presbítero ou um Pastor? A igreja tem o poder de separar alguém pra tal função? E o fio condutor?

Bispo, meu irmão, meu amigo, como alguém com mais experiência responda-nos por favor?


 

Resposta:

 

Olá, amado irmão, graça e paz.
Comecemos pelo fio condutor. Esta é uma expressão correta, embora não se encontre de forma explícita nas Escrituras. Encontramo-la implicitamente em 2Tm 2:2, que diz: “E o que de minha parte ouviste [...] isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”. Veja o fio se construindo:

1. “aquilo que de minha parte ouviste”, isto é, a Palavra apostólica que foi transmitida por Paulo a Timóteo;

2. “isso mesmo”, ou seja, não outra palavra, mas a mesma que recebeste;

3. “transmite a homens fiéis”, a saber, a homens que possam, semelhantemente, ao receber a pura palavra de Deus, “instruir a outros”.

Tais homens fiéis, tendo recebido de Timóteo a Palavra apostólica, a qual foi transmitida inicialmente por Paulo, agora devem transmitir, por sua vez, a outros, e estes àqueles, sucessivamente. Esta, portanto, é a ordem: de Cristo a Paulo; de Paulo a Timóteo; de Timóteo a homens fiéis; de homens fiéis a outros; de outros a outrem [...]; de outrem a Alexandre; de Alexandre a Ênio; de Ênio a...


Observe que o fio condutor é o fio que conduz a Palavra da verdade. Não se refere a homens ordenados detentores do poder de realizar coisas, sem os quais nada se pode fazer. Não, absolutamente. Esse foi o grande erro do Catolicismo romano, que intentou criar um fio do poder (não da Palavra), o qual supostamente seria passado a outros mediante ordenação. Por essa razão se diz que o atual papa é o sucessor de Pedro, o que certamente consiste num erro sem precedentes.

  
O problema do batismo expressa materialmente o dano que pode causar o fio do poder. Segundo a igreja romana, somente uns poucos homens, ordenados, podem realizar o batismo. Isso porque, presunçosamente, receberam a unção, e, por isso, o seu falar e ação transmitem a graça e a vida divinas que os ritos procedidos por eles simbolizam.

Veja a declaração:

Os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis sob os quais os sacramentos são celebrados significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. [...] A igreja celebra os sacramentos como comunidade sacerdotal estruturada pelo sacerdócio batismal e pelo dos ministros ordenados (Catecismo da Igreja Católica, EDIÇÕES LOYOLA, 1999 – p. 319).


Neste caso, qualquer outro, que não eles, que celebre o batismo não pode garantir sua eficácia. O poder que o torna eficaz, neste caso, não é o Nome (de Jesus), mas o próprio homem que teria trazido sobre si a unção. Nada há parecido com isso em toda a Escritura. O batismo foi ordenado aos apóstolos, os quais representam a igreja de Jesus Cristo (Mt 28:19-20). A igreja, portanto, tem autoridade para batizar. Bem, para que isso se clarifique, veja os exemplos: o próprio Jesus não batizava, mas os Seus discípulos (Jo 4:2); Paulo, semelhantemente, em toda a igreja de Corinto, não batizou senão a Gaio, Crispo e a casa de Estéfanes (1Co 1:14-17). O próprio Paulo declarou, dizendo: “Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho [...]”.


Há ainda uma curiosidade que nos permite conjecturar: quem realizou o batismo dos três mil que se converteram em um só dia, por ocasião do Pentencostes, em Atos 2? Como se deu tal evento? Certamente os cento e vinte congregados, ou uma parte deles, batizaram os primeiros, que batizaram a outros, e assim sucessivamente. Imagine você três mil pessoas sendo batizadas por uma só pessoa. Ou que fossem batizadas por onze homens apenas.


O que dizer do batismo de Saulo de Tarço? Quem o batizou? Ora, foi o irmão Ananias, na casa de um  outro, chamado Judas. Veja que aqueles que primeiro estão em Cristo batizam os que posteriormente creem no Evangelho. O mesmo se pode falar do Eunuco, em Atos 8. Este foi batizado por Filipe, num lugar deserto, sem a presença de multidões, sem apóstolos presentes e sem dia marcado: “aqui tem água, o que me impede de ser batizado?” – perguntou o eunuco. “É lícito, se crês que Jesus é o Filho de Deus”, respondeu Filipe. Nada impede alguém de ser batizado, se este crer, de todo o coração, que Jesus Cristo é o Senhor.


Certamente esse princípio orgânico do Corpo não contraria o princípio, não menos verdadeiro, do governo na casa de Deus, a Igreja. Conforme ensina claramente as epístolas paulinas, toda igreja local deve possuir um governo formado de anciãos (presbíteros), os quais têm a tarefa de pastorear o rebanho de Deus (At 20:28) e, portanto, pastores; cuidar da doutrina para que não seja corrompida (Tt 1:9) e, portanto, mestres; governar a igreja de Deus (1Tm 3:2-5) e, portanto, bispos (supervisores). Esse é o modelo de uma igreja normal.

 

 

No amor de Cristo,

 

Bispo Alexandre Rodrigues

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