Sobre a inerrância da Bíblia

Os originais da Bíblia se perderam, e o que nos temos hoje são cópias em papiros, manuscritos e códex. De acordo com o professor Fábio Sabino Exegeta bíblico e conhecedor das línguas originais da Bíblia hebraico, aramaico e grego, a essas cópias, a maioria delas incompletas, foram acrescentadas ideias do que o catolicismo e protestantismo chamam hoje de pais da igreja. Muitas dessas ideias são frutos de inflamadas discussões na época. A nossa Bíblia em português está recheada de pensamentos dos pais da igreja, e que acreditamos que seja num todo a palavra de Deus. Um exemplo disso, entre tantos outros é Mateus 28:19 que apresenta a fórmula batismal em nome da Trindade e que no entanto não se encontra nos manuscritos mais antigos, e que foi inserido ali para defender a ideia de um dos pais da Igreja Chamado Tertuliano. Segundo o professor Fábio Sabino e tantos outros exegetas bíblicos os pastores sabem dessa realidade e continuam escondendo isso dos fiéis afirmando que a Bíblia é a inerrante palavra de Deus. Na realidade além de conter pensamentos humanos, ela é contraditória segundo pesquisas feitas pelos exegetas.

O professor tem vários vídeos mostrando as deturpações da Bíblia de Mateus até Apocalipse, Gostaria de saber do Pastor o seguinte:

- O irmão se inclui entre os pastores que conhece essa realidade e omiti dos fiéis?

- Por que o irmão não usa a fórmula batismal da Trindade como todas as outras igrejas protestantes e sim somente em nome de Yeshua? 
- Por que o irmão ainda não respondeu as outras perguntas que lhe enviei?
Obs.: em um dos vídeos, ele derruba por terra o ensino da predestinação.

RESPOSTA____________________

Caro irmão em Cristo, graça e paz.

Comecemos pela última pergunta. Não somente as suas perguntas não são respondidas, mas a maioria que recebo diariamente. Se as vinte e quatro horas que disponho por dia fossem dedicadas para responder os questionamentos diversos que recebo, ainda assim não seriam suficientes. E isso porque não sou daqueles que respondem com “sim” ou “não”; antes, creio ser necessário fundamentar, nas Escrituras, toda e qualquer afirmação, construindo um caminho hermenêutico, para que não caiamos no pântano das hipóteses e especulações meramente humanas. Dentre outras atividades mais importantes que desempenho, reservo-me o direito de responder apenas as perguntas que em si mesmas são relevantes, tanto quanto deve ser também para o Corpo de Cristo – a Igreja. Esta, entretanto, respondo pelo tom de desafio que notei em suas palavras. 

 

O batismo realizado no Ministério Apostólico de Volta à Palavra é feito em Nome de Jesus pelo simples fato de ser assim o ensino das Escrituras. No caso de Mateus 28:19, não há ali nenhuma fórmula, como pensam alguns desavisados. O que ali se encontra é o mandamento acerca do batismo e a base na qual o batismo encontra sua validação. Por isso se diz: “Ide... fazei discípulos... batizando-os em NOME...”. Veja que não se diz *nos nomes, como se fossem três; mas no “NOME DO PAI, E DO FILHO, E DO ESPÍRITO SANTO”. Corrobora para o entendimento não somente o nome singular, tratando-se de um só nome, mas também o uso do polissíndeto, que, numa função coordenativa, liga enfaticamente os termos Pai, Filho e Espírito Santo ao ÚNICO NOME.

Desse modo entenderam unânimes os apóstolos do Cordeiro. Não sem razão, uma vez que não se encontra discussão a esse respeito em todo o Novo Testamento. Não pairava dúvida de que o Nome é o nome de Jesus. Por isso, sem titubear, assim procederam os apóstolos Pedro (At 2:38; 10:48), João (At 8:16), Paulo (At 19:5), e assim procedem todos os que seguem os seus ensinamentos (1Jo 4:6).             

Acerca da inerrância da Bíblia, creio que há aqui certo erro conceitual. É lógico que há erros na Bíblia, basta que se compare uma versão à outra. Se há entre versões diferentes afirmações que dizem diferentemente acerca de um mesmo ponto, então não se pode falar em inerrância da Bíblia. (Veja o exemplo de Mt 18:18 e compare a VRC à VRA).

Observe, porém, que tais discrepâncias não significam adulteração, conforme o amado irmão, induzido pelos chamados professores das línguas originais da Bíblia, falou acima. Quem diz ser adulteração a porção de Mateus 28:19, o faz não baseado em fatos, uma vez que se diz que os escritos originais se perderam. O saber os idiomas antigos não assegura o saber a verdade contida em manuscritos aos quais não se tem acesso. Como saber então a verdade? Ora, somente pelo estudo do todo da Escritura. Certifico-me da veracidade ou não de Mateus 28:19 na medida em que o submeto ao que diz a Escritura de Gênesis a Apocalipse. Somente assim os tais estudiosos e eruditos não poderão manipular o que dizem conhecer, senão pela anulação de centenas de textos espalhados na Bíblia Sagrada. 

Os que discordam de alguma verdade contida nas Escrituras o fazem sempre pela anulação de textos – presumindo a sua não existência nos originais – ou pela asseveração de que, embora estejam nos originais, não é exatamente como se encontra nas traduções. Prendem-se a textos isolados, não ao conjunto da revelação. Isso é erro grave e infantil, sobretudo para aqueles que se julgam doutores em bíblias originais, às quais nunca sequer apalparam, que dirá lido.

Bíblia é o conjunto de livros. Livros esses que foram escritos, reescritos, traduzidos, editados, adaptados a linguagens mais acessíveis etc. Como pensar que livros com tais características possam, depois de percorridos todos esses caminhos, permanecer inerrantes, do ponto de vista da escrita? Somente um tolo assim pensaria. Portanto, não se pode falar, NESSE ÂMBITO, de inerrância, nem tampouco Deus falou sobre isso. Deve-se, todavia, diferenciar o vocábulo Bíblia (conjunto de livros) dos termos Escrituras e Palavra de Deus.

Escritura refere-se ao texto sagrado, escrito, conforme o Espírito de Deus orientou os Seus profetas e apóstolos, apontando-lhes os eventos, ocasiões, circunstâncias, fatos, a serem registrados. Tais registros, inspirados, trazem na sua substância verdades eternas acerca de Deus e de Sua obra plena. O “ESTÁ ESCRITO” aparece 78 vezes no Novo Testamento, além das 51 vezes que aparece o termo “ESCRITURA(s)” – Jo 10:34-35; Mt 21:42; Lc 24:27, 45; Jo 5:39.

Por exemplo. Por que João, em seu evangelho abordou os grandes milagres de Jesus, como a transformação da água em vinho, a cura do cego de nascença e a ressurreição de Lázaro, e os demais evangelistas não os mencionaram? Não parece curioso o fato de Mateus citar todo o sermão do monte, as sete parábolas do reino dos céus, a parábola das dez virgens, e os demais evangelistas passarem “despercebidos”? Ora, por que esse arranjo? Pelo simples fato da inspiração das Escrituras (2Tm 3:16). O Espírito sopra a Sua palavra, guiando Seus profetas, apontando-lhes os fatos, circunstâncias, ocasiões a serem registrados (γραφη/grafe/escritura), pois neles, como em um trilho, correrá a revelação de Deus, isto é, a Palavra de Deus.


A Palavra de Deus, portanto, é que é INFALÍVEL, pois se trata do falar substancial do Eterno, o qual revela o próprio Deus, Sua vontade e propósito, mediante Seus profetas, Seu Filho e Seus Apóstolos (Mt 24:35; 1Pe 1:24-25; Hb 1:1; Jo 17:20). Não quer isso afirmar que as palavras de Deus são os grafemas das Escrituras registrados e impressos na Bíblia. Mas a revelação nelas contida. Isso, e somente isso, importa ao cristão que é criterioso e sincero.


Sabendo Deus que a Escritura, por sua própria natureza, estaria condicionada a leis, não só das Gramáticas hebraica, aramaica e grega, mas das de tantas línguas nas quais seria traduzida, não intentou dá-nos um livro em si mesmo infalível. Do contrário não permitiria a mudança sequer de um “s” em “z”, “c” ou “sc”, mudanças ortográficas possíveis no âmbito de qualquer língua em seu eixo diacrônico. Antes, em Sua perfeita sabedoria, revelou-Se nos escritos sagrados, para ser visto por aqueles que têm olhos para ver, não segundo a letra, mas segundo o Espírito. Por isso a afirmação de que a Palavra de Deus – diferentemente da Bíblia e da Escritura – é primeiramente o próprio Filho (Jo 1:1Cf. Ap 19:13), assim como a Sua revelação de Si mesmo, tanto quanto de Sua obra e propósito.


Enquanto se discute ignorantemente acerca de papel e tinta, perde-se a revelação. Isso não quer dizer que a revelação seja impalpável e transcendente, a ponto de não ser possível de verificação nas Escrituras. Não. A revelação se constata nas páginas da Bíblia. Entretanto, devemos prender-nos à essência do falar divino, atrelado historicamente às experiências temporais e frágeis dos homens no tempo. O divino habita o humano (Jo 1:14), assim como o espiritual, o material (Zc 12:1). De semelhante modo o falar infalível do Eterno encontra-se pulsante e vivo na fragilidade das línguas humanas, mesmo que estas nem sempre sejam suficientes para expressá-lO em  Sua plenitude.

 

No amor de Cristo,

Bispo Alexandre Rodrigues

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