O poder libertador do amor

Ó, culpa feliz, que nos ganhou

tão grande e tão glorioso Redentor!

 

“Volta para casa, filho. Já ganhaste a liberdade. Sim... duas vezes a ganhaste. Foste liberto da cadeia dos homens e da cadeia do pecado.

“É verdade que roubaste ao teu senhor, como também roubaste ao teu sumo Senhor o direito sobre ti. Por essas duas razões é que a ti mesmo te aprisionaste nessas cadeias.

“Não sabias, todavia, que, quando roubavas a Filemom, era a Deus a quem roubavas, e que, roubando-lhe, furtava-te a ti mesmo daquele que é a tua própria vida. Por isso, dele não pudeste fugir. Quando julgaste estar longe de casa, fora do alcance de suas mãos, ei-lo dentro de ti a pulsar e a se mover, convidando-te e te constrangendo com o seu amor, e dizendo: ‘Dá-me, filho meu, o teu coração’.

“Naquele momento compreendeste que o pecado, contra Deus ou contra os homens, consiste em defraudar-lhes o direito. Entendeste também que o único caminho de redenção corresponde à rota inversa a da queda, aquela em que se abre mão do direito que se tem, para sofrer vicariamente o dano que a outrem cabia.

“E porque respondeste sim ao seu chamamento, foste livre. Volta agora para a casa de Filemom.

“Tens um longo caminho pela frente. Terás de percorrê-lo por completo até que, no seu fim, conheças o poder invencível do Amor. Cada passo de volta será uma volta no coração, até que a conversão se efetue completamente... voltas de arrependimento como de quem volta ao paço da reconciliação.  

“Leva contigo a marca do perdão divino. Estás livre! Já não poderás mais ser escravo, pois o Amor te libertou. Torna-te, pois, carta de amor e retornes a teu conservo Filemom. Lendo-te, ele saberá que és livre, filho daquela que é lá de cima – nossa mãe. Manifesta, pois, o amor por onde quer que andares, a fim de sejas carta de Cristo, conhecida e lida por todos os homens, produzida pelo nosso ministério, escrita pelo Espírito do Deus vivente.

“E, por fim, quando fores abraçado por Filemom, conhecerás o poder invencível do Amor, que não se ressente do mal recebido, nem lança no rosto a culpa inescusável, tampouco reivindica ressarcimento pelo dano sofrido. Compreenderás a força do Amor, que tudo sofre, até a perda do bem que possuía; experimentarás o Amor que tudo espera... sim, que espera receber de volta, não o bem perdido, mas o perdido que lhe roubou o bem. E, tendo-o achado, se alegra como se alegram os anjos no céu, fazendo-lhe o bem, chamando-o de irmão.”

Somente assim, é que Filemons e Onésimos poderão fazer parte da comunhão dos santos, onde não há estratificações, nem castas, nem dívidas, nem ressentimentos, nem lembrança alguma do que é velho e passado, pois o Amor torna novas todas as coisas. Nessa congregação universal de santos redimidos, o próprio Amor se despe das vestes de sua glória, cinge os lombos com o sudário da humildade e se inclina para aliviar os pés cansados de seus servos, ainda pecadores, e que estão prestes a abandoná-lo, fugindo, negando-o, traindo-o. Mesmo assim, o Amor os ama até o fim. O Amor tem ação completa, em nada é deficiente.     

De sorte que, o mesmo Amor que liberta Onésimo da culpa é o que capacita Filemom a recebê-lo. Nesse consórcio, ambos são alvos da mesma graça, a fim de que, sendo amados, aprendam a amar; e, amando, tornem conhecido o amor Deus.

 

Alexandre Rodrigues

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