Aquela cruz

A partir do momento em que nos encontramos, a minha vida jamais seria a mesma.

Ao carregar o madeiro em lugar do Nazareno, não sabia eu que o Homem daquela cruz estaria para sempre comigo, por toda a minha existência, em meu coração, em minhas lembranças... Eis como tudo começou.

Tentando eu desvencilhar-me dos embaraços da multidão, ouvi um grito: 

“— Ei, você! Carregue a cruz.”

Essas palavras – bradadas pelo centurião romano – rasgaram o espaço, e sobressaíram às incontáveis vozes, fazendo calar o burburinho da multidão. O tropel, paralisando-se, desviou o olhar do “condenado” e fixou-o em mim.

As palavras do romano e a sua mão sobre a bainha da espada me constrangeram a obedecê-lo sem nenhuma resistência.

Raiva e medo do representante de César, vergonha da multidão, pena do homem que já não tinha forças para levar a sua cruz... esses foram os sentimentos que inundaram o meu peito no momento em que eu coloquei sobre os meus ombros a cruz do Nazareno.

Tudo isso, porém, passou. O medo, a raiva e a vergonha já não mais me assombram, nem mesmo quando caminho entre soldados romanos.  

Pena do nazareno? Não... De todos os sentimentos que nutri quando fui obrigado a carregar a cruz do Salvador, este, sem dúvida alguma, é o sentimento que menos faz sentido para mim.

As palavras do centurião, que naquele dia penetraram meus ouvidos tão pungentemente e que me trouxeram medo e vergonha, agora se transformaram em palavras de redenção, vindo a transformar também o meu coração.

Desde que encontrei Aquela Cruz... desde que encontrei o Homem da Cruz, deixei de lado todo o medo, o ódio e a vergonha, e passei a experimentar, daquele momento em diante, o início de um encontro que marcaria definitivamente a minha história.

Um dia, me senti perseguido, humilhado, envergonhado por causa da cruz. Agora, aonde quer que ela  vai, eu a sigo; não qualquer cruz, mas Aquela Cruz.

Tempos depois, a vergonha que senti de caminhar lado a lado com o Homem da Cruz, d’Aquela Cruz, se converteu...

Hoje, sinto alegria e honra ao caminhar...

Caminho com o Homem da Cruz.

Aquela Cruz...

 

Josué Argôlo

Avalie este item
(4 votos)

Devocionais

  • O poder do amor
    “Sempre fica um pouco de perfume nas mãos de quem oferece flores.” Provérbio chinês. Maria Rosa, jovem flor, dos homens só conheceu espinhos. Apesar de seu nome, Maria Rosa sempre carregou no corpo e, principalmente, na alma as marcas de quem muito bebeu das acerbas águas do sofrimento. Igualmente aos…
  • O incognoscível Deus revelado aos homens
    Deus! Esse é o nome que damos àquele que tudo criou, ao Eterno, ao Absoluto, ao Inesgotável, ao Infinito... ao único que é em si mesmo. Alguns o chamam de Jeová, outros, de “uma força”, e há os que o denominam simplesmente “ser superior”. Fato é que ninguém o conhece…
  • Um grito
    “Estátuas e cofres e paredes pintadas, ninguém sabe o que aconteceu...”, disse o profeta profano, ao sinalizar o descuido da humanidade para com os problemas reais da existência humana. A criança se jogou da janela, do 5º andar, porém, ninguém sabe o porquê. E por que não sabe? Por que…
  • Então é natal
    “O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa. Entretanto, se faz necessário o silêncio... Para que se consiga ouvir a voz do Amor. Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.” Papa Francisco. É no silêncio, sem espectadores, sem…
  • Um odre na fumaça
    “— Não é assim que se faz, Abdullah. Primeiro você precisa deixar o odre ser curtido na fumaça por tempo suficiente, antes de introduzir água em seu interior ” – falou Omar com enorme doçura ao seu neto, enquanto este enchia de água um odre recém-feito com o couro de…

Bispo Sênior
Alexandre Rodrigues

Bispos
Eleilson Ferreira
Josué Argôlo

Outros Links