O incognoscível Deus revelado aos homens

Deus! Esse é o nome que damos àquele que tudo criou, ao Eterno, ao Absoluto, ao Inesgotável, ao Infinito... ao único que é em si mesmo.

Alguns o chamam de Jeová, outros, de “uma força”, e há os que o denominam simplesmente “ser superior”. Fato é que ninguém o conhece nem mesmo é capaz de conhecê-lo, pois como conhecer àquele que é inesgotável, que não possui limites, que não pode ser contido em nada do que foi por ele criado?

Há muitos que se jactam em dizer que o conhecem. Grande engano! O conhecer a Deus é um processo infinito, inesgotável e eterno.

Afinal, quem é Deus na concepção humana (não a real)? O “conhecimento” que temos dele não raras vezes não passa de projeção daquilo que somos. No afã de explicá-lo, criamos uma imagem dele à nossa semelhança: às vezes a imagem de um ser tirano, outras vezes a reprodução de um ser que tão somente criou o mundo e suas leis, e que hoje descansa em seu trono como mero expectador da tragédia humana. Ora criamos um deus que manda matar crianças, outra vez o pintamos como aquele que poupará a todos, sem distinção, até mesmo aqueles que não o desejam.

Mas tudo isso são fabricações da mente humana, a qual cria para si um ser supremo que se lhe submeta, que traga conforto ao seu ideal no tocante à vida. Ora, se eu não tolero aqueles que de mim divergem, muito mais confortável é ter um deus que seja também assim, um deus que lança no lago de fogo todo aquele que “não o conhece”. Se sou uma pessoa vingativa, por que não criar para mim um ser supremo que se vinga dos inimigos até que pereçam plenamente?

E assim, vai a mente humana fabricando deuses, numa linha de produção em larga escala, a partir das concepções equivocadas acerca do Eterno, o Incognoscível.

Quem então conhece a Deus que nos possa revelá-lo? Seriam os judeus do Antigo Testamento, cuja aliança, contida nas páginas da Bíblia Sagrada, é o ministério da condenação e da morte? Ou seriam aqueles que, durante mais de 1000 anos, presumiram possuir a única religião verdadeira e oficial do mundo? Ou seriam aqueles que protestaram a religião até então hegemônica no mundo Ocidental, a qual veio a se ramificar em centenas (para não dizer milhares) vertentes de entendimento acerca do Eterno?

Ah, religiões! que julgam ter a posse de Deus e que tentam enquadrá-lo dentro de dogmas, doutrinas e ritos, como se o Eterno coubesse dentro das concepções humanas.

Sim... como então conhecer a Deus? O caminho não é fácil, porém, é simples. O Eterno e invisível Deus, o ser superior – Jeová, Yahveh, Tao, Tupã ou o nome que se queira dar a Ele – se revela de muitas maneiras. Porém, a expressão exata do seu ser está na pessoa do seu Filho. Afinal, ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.

O caminho para se conhecer a Deus, portanto, não é outro senão o próprio Caminho, a Verdade e a Vida, a saber, o Cristo de Deus, o Filho do Deus Vivo.

Ora, como pode ser o caminho que nos faz conhecer a Deus fácil e ao mesmo tempo difícil? Ora, pelo simples fato de ser fácil de identificá-lo, porém, difícil de trilhá-lo.

Mas... onde se encontra a dificuldade? Encontra-se no fato de que, ao olharmos para o Cristo de Deus, aquele que veio revelar de fato e de verdade o Pai, somos confrontados na concepção errônea que temos acerca daquele deus fabricado segundo nossa imagem e semelhança.

Quando nos dispomos a conhecer a Deus por meio de seu Filho, enxergamos puro amor, compaixão, misericórdia, mansidão, perdão.

E é nesse ponto onde tudo se complica, porque eu não sou assim. Eu tenho ódio dos meus inimigos, não tenho compaixão daqueles que me fazem o mal, não exerço misericórdia, não os perdoo, apesar de dizer com os lábios, paradoxalmente, que os entrego “aos cuidados” do deus que criei, aquele que não deixa barato a afronta, que castiga o ímpio e que tem prazer no seu sofrimento.

Esse deus fabricado pela minha mente caída traz alento ao meu coração duro e perverso, me deixa confortável com a minha índole cruel, carente de amor, e que não me exige mudanças nem transformação interior, pois minha postura está avalizada pelo deus que criei nas minhas concepções equivocadas.

Conhecer o verdadeiro Deus, por meio de Cristo, nos faz ver que esse deus fabricado pela mente humana, sistematizado pelas religiões, está bem distante do verdadeiro. E o mais assustador (ao menos deveria causar tal espanto) é saber que o Verdadeiro está muito distante daquilo que sou. Pois, se o projeto do Eterno é que sejamos conformados à imagem e semelhança de seu Filho, quão distante estamos daquele que disse: “se ninguém te condenou, eu também não te condeno”, “perdoa-os, porque não sabem o que fazem”, “vinde a mim os cansados e sobrecarregados”; quão distantes estamos das mãos que curam ao invés de ferir, dos lábios que abençoam ao invés de amaldiçoar, do coração que ama e se recusa ao ódio, daquele que acolhe o Bem e despreza o Mal.

Muitos se colocam no caminho do conhecimento de Deus. Entretanto, uns logo param, outros até que caminham bastante; mas, infelizmente, a maioria, em um determinado tempo da caminhada, para e fica estagnado. Param porque encontram limites em si mesmos, não aceitando certos atos e atributos do Deus verdadeiro, os quais são assaz dissonantes daquilo que são.

Porém, no final das contas, por causa do ser divino que é puro amor, todos o conhecerão. Mas... o conhecerão plenamente? Jamais! Deus não se esgota, ele não tem fim. Será um conhecer infinito por toda a eternidade, sem que jamais o esgotem em suas mentes finitas.

Bem-aventurados são aqueles que não interrompem esse processo. Feliz é aquele que a cada frustração – ao ver o quão mau é em si mesmo, e o quanto Deus é bom – perseveram em fazer morrer a sua natureza terrena, para que a natureza divina cresça mais e mais dentro de seu coração.

“Mas...” – alguém pergunta – “eu terei, então, de oferecer a outra face a quem me fere? Terei de abençoar os meus inimigos? E, sendo perseguido, terei de orar pelos meus algozes? Sendo insultado, repetidas vezes, não poderei reagir? Terei de perdoar aquele que me fez o mal? Terei de consentir com a ideia de que Deus salva o mais vil pecador?”

Retomemos o que dissemos acerca da dificuldade do caminho. O caminho é estreito, mas o vemos difícil pela simples razão de acharmos que somos algo em nós mesmos, quando, na verdade, só Ele é. Enquanto quisermos ser o que não somos, desejando ser plenos fora da Plenitude, sem reconhecer que somos uma minúscula parte dentro do todo divino, jamais seremos um com Ele. Essa unidade só se dará por completo quando formos tomados plenamente pela natureza daquele que é, daquele que para uns é Deus e que para outros é apenas uma força superior ou simplesmente um nome; isso pouco importa. O importante é alcançarmos o alvo: ser assim como Ele é – AMOR, porque Deus é amor.

Cabe, portanto, a nós proclamar e praticar o que disse certo profeta: “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, será a sua saída; e ele a nós virá como chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Oséias 6:3). E então, ficaremos encharcados e absorvidos de Deus e expressaremos os seus ricos e invisíveis atributos. A Terra, então, se encherá do conhecimento do Senhor.

 

Marcos Oliveira

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